Boyhood e a inexorabilidade do tempo

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Não saberia dizer por que valeria a pena lutar, qual o motivo que o decidia a recorrer ao que havia de mais profundo em seu ser e a tudo que havia herdado das personalidades que atravessaram seu caminho…
Estendeu os braços para o céu cristalino e radiante.
“Eu me conheço”, gritou, “mas isso é tudo —”.
– Este Lado do Paraíso, F. Scott Fitzgerald

Revisitando Boyhood: Da Infância à Juventude (2014) cerca de dois anos após seu lançamento, a impressão que fica é a mesma que tive ao fim daquela memorável sessão no Festival do Rio: a de estar diante de uma das obras essenciais do cinema nesta década.

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A Frente Fria Que a Chuva Traz e a alienação da elite brasileira

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Em filmes como O Anjo Exterminador (1962) e O Discreto Charme da Burguesia (1972), Buñuel tece críticas mordazes à elite econômica (a tal burguesia) por meio de um tom absurdista e mesmo cômico. Já Larry Clark (Kids, de 1995) e Harmony Korine (Spring Breakers, de 2012) propunham um olhar ácido sobre a tendência autodestrutiva de uma juventude sem rumo. É na tangente desses dois mundos que se encontra A Frente Fria Que a Chuva Traz (2015, mas lançado comercialmente em 2016), de Neville d’Almeida (adaptado de uma peça de Mário Bortolotto, presente no elenco). A premissa é bastante simples: um grupo de jovens de classe média alta que aluga uma laje no morro do Vidigal, Rio de Janeiro, para fazer suas festas repletas de sexo, drogas e “ostentação”.

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Invocação do Mal 2 e o terror do mainstream americano

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Filmes de terror americanos genéricos, repletos de jumpscares gratuitos, efeitos especiais porcos, atuações ridículas e roteiros confusos não são novidade. Continuações de produções genéricas que fizeram algum lucro também não são. É difícil saber se essas produções surgem com tanta frequência porque os estúdios e cineastas subestimam o público, ou porque o próprio público subestima o gênero. Felizmente, James Wan é um amante de filmes de terror, nunca os subestimando; e é um diretor competente, nunca subestimando o público. E Invocação do Mal 2 (The Conjuring 2), sequência do filme de 2013, é uma grata surpresa. Continuar lendo