Feliz aniversário de 30 anos, Jojo’s Bizarre Adventure!

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Neste dia de 2 de dezembro, há 30 anos atrás, saía nas páginas da primeira edição referente ao ano fiscal de 1987 da Shonen Jump, o primeiro capítulo de uma série que, por mais que não tenha sido exatamente um divisor de águas no gênero ou na mídia, criou um legado forte o bastante pra gerar influências em obras posteriores e uma legião de fãs que a cada dia cresce mais e mais. A série em questão é nada mais, nada menos do que o que viria a se tornar o Magnum Opus de Hirohiko Araki e provavelmente um dos produtos de cultura pop japonesa mais “reconhecíveis” da atualidade e atende pelo nome de Jojo’s Bizarre Adventure. Talvez esse texto se torne um memorando nostálgico da minha relação com a série, mas… lembro-me até hoje de como conheci Jojo.

[antes, caso alguém tenha interesse, a título de curiosidade, há muito tempo atrás, na época do finado “Mangás Cult”, onde eu comecei a escrever na internet, eu fiz um texto analisando a edição de estréia de Jojo e vendo o que estava se passando naquele momento na Shonen Jump como um todo. O texto está naquele estilo bem antigo meu que quem me conhece daquela época deve lembrar que é bem diferente do meu estilo de escrita que adoto aqui no Missão Ficção, mas em todo caso, fica aí como material informativo]

Eu desde muito pequeno já tinha o hábito de ler quadrinhos, ainda que só lesse Turma da Mônica, uns Gibis aleatórios com os personagens da Disney (sobretudo as histórias do Pato Donald feitas pelo Carl Barks, que talvez foram o que mais me deu o empurrão inicial pra gostar da mídia) e umas coisas aleatórias da Marvel que iam parar na minha mão por causa de Tios e primos mais velhos. Os mangás mesmo só foram entrar no meu cardápio quando eu tinha uns 9 ou 10 anos de idade e vi um amigo lendo Dragon Ball e eu me interessei por aquilo. Nessa época eu acabei conhecendo essa nova “diversidade” de quadrinhos com aquele gostinho que o oriente sabe fazer bem e li Dragon Ball, Rurouni Kenshin, Yu Yu Hakusho e Saint Seiya, todos inteiros nessa época graças a amigos que emprestavam pra eu ler os volumes (e estranhamente todos esses, com exceção de DB, que eu revisito de tempos em tempos, hoje em dia não lembro com a mesma riqueza de detalhes que lembro das aventuras de Son Goku e seus amigos. Lembro de algumas coisas gerais, mas preciso relê-los pois os detalhes estão bem embaçados na minha memória, mas isso não vem ao caso, é só uma informação engraçada).

E nisso eu descobri que “oloco esses gibi japonês são bem maneiros” (apesar de que eu detestei Saint Seiya naquela época e li mais pra ter assunto com amigos, mas os outros 3 eu adorei, e DB é um dos meus mangás favoritos até hoje e posso garantir que não é só pela nostalgia) mas só fui ler coisas novas depois quando conheci One Piece e Naruto, também através de amigos e então pulamos para o final do ano de 2006 ou início de 2007, não lembro ao certo mas eu tinha entre 12 e 13 anos de idade, que eu estava lendo Naruto e naqueles espaços dos volumes fechados onde o autor usa pra falar de coisas aleatórias, ele começava a falar de sua história de vida, de influências, coisas que lia e por aí vai…

Diamond is Unbreakable, a quarta parte, provavelmente é um dos maiores expoentes do carisma da série.

Diamond is Unbreakable, a quarta parte, provavelmente é um dos maiores expoentes do carisma da série.

Aí me lembro que em um determinado momento desses, Kishimoto começava a falar de vários mangás e eu ia atrás de pesquisar sobre eles pra saber do que se tratava. Ele falou de coisas como Touch, Slam Dunk, Akira, Dr. Slump, Kinnikuman, Hokuto no Ken e Jojo’s Bizarre Adventure. Hoje em dia eu já li todos esses citados, mas naquela época, os dois últimos foram talvez os que mais me chamaram a atenção, principalmente o segundo. Eu era um moleque de 13 anos na época, é óbvio que os que tinham mais porradaria seriam os que me chamariam mais a atenção, né. Mas Jojo, a primeiro momento nas minhas pesquisas, me chamou a atenção por dois fatores: o tamanho gigantesco da série e eu ter lido que a série tinha lutas extremamente violentas (lembrando, eu tinha 13 anos, né).

E então comecei a minha caçada por esses mangás para lê-los e foi aí que descobri que “UAU, TEM MANGÁ PRA LER NA INTERNET!!!” e encontrei as scans de Hokuto no Ken em português feitas pelo finado grupo Si~lénsce (que foram uma grande inspiração para eu, anos mais tarde, entrar nessa brincadeira de fazer tradução de mangá na internet lá com o Shin Sekai Scans, que alguns de vocês que saibam da minha história já devem conhecer).

Eu diria que Hokuto no Ken foi uma grande porrada na cara pra mim naquela época. Na prática, ele não era tão diferente assim de coisas que eu já tinha lido até aquele momento (também, pudera, né…. se olharmos a história da mídia, ele foi a gênese de consolidação de vários tropes que veríamos em obras subsequentes do gênero), mas todo aquele tom extremamente melodramático e trágico da saga de Kenshiro em busca de sua amada num mundo devastado cheio de pessoas terríveis me deixou fascinado de uma forma que eu nunca tinha sentido com os outros mangás que eu tinha lido antes. Mesmo hoje, uma década depois, ainda revisito Hokuto no Ken quase que anualmente (pelo menos até o Kenshiro ter sua luta final contra o Raoh, porque, shhhh, não tem mais nada depois daquilo, né *pisca*) e ainda é um dos meus mangás favoritos. Eu sei que ele está longe de ser perfeito, mas o gostinho dele é algo muito especial pra mim e não só por nostalgia, mas por achá-lo legitimamente bom como uma experiência e ser uma das coisas mais memoráveis cheias de momentos icônicos que eu conheço. Se você que está lendo este texto, nunca leu Hokuto no Ken, quando puder, separe um tempo para ir atrás. É fascinante.

Fugi um pouquinho do assunto, mas agora vamos voltar aqui e ir pro ponto seguinte dessa história, que foi eu indo atrás de Jojo e não conseguindo encontrar em lugar algum na internet as malditas das scans, até que, depois de muita procura, encontro um site de design bem esquelético chamado “Jojo Highervoltage.com” ou algo assim. Pense naqueles sites do começo da internet com um monte de link com aquela fonte em cor azulão num fundo branco sem nada muito bonito visualmente. Era assim o site. E aí vejo lá supostos links para baixar o mangá naquela internet discada que eu tinha na época e saio baixando tudo que tava ao meu alcance. E quando finalmente o primeiro volume baixa, eu abro muito curioso aquilo e vejo que a scan tava em inglês. Para a minha sorte, eu já conseguia compreender inglês decentemente o bastante para ler naquela época (muito obrigado, inúmeros JRPGs que joguei na época, que fizeram eu aprender a língua quase que por osmose). Hoje eu leio quadrinhos 99% das vezes em inglês e Jojo foi o primeiro.

A sétima e minha parte favorita da série, Steel Ball Run, é talvez até o momento deste texto, a forma mais evoluída do talento de Araki como artista e, por si só, mesmo sem a bagagem prévia da franquia, é uma obra incrível. Um ponto um pouco fora da curva do que o autor tinha feito até aqui, mas indo além dos seus limites.

A sétima e minha parte favorita da série, Steel Ball Run, é talvez até o momento deste texto, a forma mais evoluída do talento de Araki como artista e, por si só, mesmo sem a bagagem prévia da franquia, é uma obra incrível. Um ponto um pouco fora da curva do que o autor tinha feito até aqui, mas indo além dos seus limites.

Jojo me chamou a atenção inicialmente por motivos parecidos que Hokuto no ken, e todo o clima de “jornada bizarra” já demonstrado pelo nome me fisgou de um jeito que lembro de ter lido a parte 1 inteira numa paulada só. E conforme os tempos foram passando e eu fui lendo, ainda naquele mesmo ano, li até o final da parte 5, que era o que tinha traduzido na internet. A parte 6 estava no começo das traduções ainda e eu acabei a lendo inteira só uns 4 anos depois.

(Vale lembrar também de uma coisinha que quem é fã de longa data da série como eu com certeza vai se lembrar: até uns 2 anos atrás as únicas traduções da parte 4 disponíveis na internet eram os famosos DUWANG, com aquelas traduções horrivelmente toscas que viraram uma grande piada interna entre os fãs da série e hoje é um meme à parte, ao ponto de sair uma versão da legenda do anime traduzida cagadamente de propósito só pra “homenagear” essas traduções horríveis. O ser humano fã de Jojo é um bicho retardado demais às vezes e eu amo isso)

2007 estava sendo um ano curioso pra Jojo: Steel Ball Run estava provavelmente antes da metade ainda e a série acabara de completar 20 anos e, anunciaram aquele filme do Junichi Hayamaque adapta Phantom Blood, a primeira parte da saga, para comemorar. Eu já estava familiarizado com a série quando anunciaram tal filme com AQUELE TRAILER e imagino que nem preciso dizer que tava arrancando a cueca pela cabeça por causa de hype, né? E se você está familarizado com a história da produção do mesmo, também presumo não preciso falar da decepção que foi ver que o filme aparentemente não agradou nem mesmo o criador da série e nunca saiu em DVD para que nós, meros mortais que não tínhamos acesso a cinemas japoneses em 2007, pudéssemos assistir.

Porém Jojo era aquela coisa ainda mesmo pelos anos subsequentes: um mangá que só uma dúzia de gatos pingados conhecia mas era muito fã e eu começava a empurrar a série para os meus amigos. Ouso dizer que se a maoria dos meus amigos conhece a série desde antes da explosão de popularidade com o anime de 2012, foi por minha insistência de anos falando pras pessoas lerem pra eu ter alguém com quem comentar aquela parada maneira que eu descobri.

A sensação de “descoberta” de uma parada legal foi tão boa que isso me incentivou a correr atrás de mais mangás pra ler. E nisso, fui descobrindo uma coisa, depois fui outra, e por aí vai. Posso dizer seguramente que, se eu tô escrevendo esse texto, assim como vários outros que já fiz na internet até hoje, Jojo é um dos principais culpados por despertar esse interesse de correr atrás de mais coisas e, consequentemente, acabar desenvolvendo interesse também por falar dessas coisas e querer discutí-las com os outros (além de ter me possibilitado conhecer algumas pessoas com quem tenho amizade até hoje). Jojo’s Bizarre Adventure foi, sem dúvida alguma, um dos produtos de entretenimento que mais marcou minha adolescência e acabou ajudando a me transformar no leitor de quadrinhos (sobretudo mangás) fuçador de coisas que eu sou hoje.

Antes de prosseguir para o próximo grande ponto, acho que vale abrir um parênteses para dar destaque ao ano de 2008, que foi quando eu passei a ter internet banda larga em casa e, consequentemente, poder baixar coisas mais pesadas (que, risos à parte, eu nem fodendo poderia pensar em baixar na minha conexão discada sem prender a linha telefônica de casa por várias horas e levar bronca dos meus pais por isso) e entre essas coisas mais pesadas estavam os err- digo, animes e um deles eram os OVAs que adaptavam Stardust Crusaders, a terceira parte e que, por muito tempo, foi a mais famosa da série. Eu já adorava por causa do mangá, mas foi legal ver aquilo animado pela primeira vez, ainda que tivessem pulado muitos inimigos da história que apareciam no meio no mangá, parte do que eu mais gostava estava lá animado. Além disso tenho que falar que, puta que o pariu, a luta do Jotaro contra o Dio nesses OVAs é um negócio que até hoje eu acho do caralho de bem feito (e hoje em dia saber que o finado Satoshi Kon, diretor de Perfect Blue, filme o qual gosto muito, antes da fama estava envolvido diretamente como um dos animadores desse OVA antigo de 1993 me faz dar ainda mais valor ao que foi feito ali). Não é uma adaptação perfeita, logicamente (até porque o anime recente pra TV feito pela David Productions faz isso MUITO melhor), talvez até longe disso, mas o efeito que teve em mim foi bem impressionante e como fã, foi algo que gostei muito na época.

Até hoje consigo dizer que Dio Brando é um dos meus vilões favoritos da ficção num geral.

Até hoje consigo dizer que Dio Brando é um dos meus vilões favoritos da ficção num geral.

E partindo disso, acho que um outro ponto importantíssimo da minha história como fã da série foi o ano de 2012. Nessa época eu já tinha uns 18 anos e estava no meu primeiro ano de faculdade. Steel Ball Run havia acabado no ano anterior e Jojolion, a oitava e atual parte (do momento em que esse texto foi publicado, caso você esteja lendo isso daqui a alguns anos no futuro) tinha dado início nas páginas da Ultra Jump não fazia muito tempo. e então aconteceu algo que eu NUNCA esperaria que fosse acontecer: anunciaram UM ANIME PRA TV e eu fiquei maluco com aquilo, pois já tinha perdido as esperanças de que Jojo seria adaptado pra animação algum dia além daqueles OVAs de Stardust Crusaders. Esqueci de mencionar também no começo do parágrafo, mas anunciaram isso no ano que a série estava fazendo 25 anos de existência. Foi um belo jeito de comemorar, eu diria.

Porém, eu ainda tinha algumas preocupações: eu, o naquela época chatonildo como era com adaptações de coisas que eu gostava (eu não era assim na época que assisti os OVAs antigos), por mais feliz que estivesse com esse anúncio, ainda estava bem preocupado se iam conseguir fazer um trabalho decente em adaptar aquele que é provavelmente o meu mangá favorito pra animação. Era um estudiozinho que pouca gente tinha ouvido falar e tava com uma parada importantíssima nas mãos pra fazer. Se você era entendido de anime naquela época, de manjar nome de estúdio, diretor e os caralho a quatro, você botaria fé num estudiozinho chamado DAVID PRODUCTIONS pra fazer uma adaptação à altura de um ícone cultural meio underdog como Jojo? Eu estava bem sem saber o que esperar, por mais curioso que estivesse para ver o resultado e torcendo para que fosse bom.

E então chega o fatídico dia da estréia: 6 de outubro de 2012. Eu não lembro o que exatamente eu tinha feito naquele dia, mas era uma sexta-feira e acho que eu devia ter feito prova ou pego uma prova na faculdade com uma nota meio bosta que consegui recuperar depois, mas isso pouco importava pra mim naquele momento, porque o que eu queria era: assistir a estréia do anime de Jojo e, convenientemente, fui liberado mais cedo para ir pra casa e assim, dando mais tempo pra eu caçar algum Keyhole ou link de streaming pra ver essa porra ao vivo na internet mesmo.

(Caralho, mano, no dia que saiu a abertura do anime eu vibrei como poucas vezes na vida)

Era mais ou menos meio-dia e alguma coisa no horário de Brasília quando começou a passar e… 30 minutos depois, acabou. A minha reação foi de bastante satisfação, pois adaptaram uma boa parte do primeiro volume da parte 1 e já indo direto pro que interessava, sem deixar de lado momentos que ditavam a rivalidade entre os jovens Jonathan Joestar e Dio Brando. E então aí veio a melhor parte da estreia desse anime: várias pessoas que nunca tinham ouvido falar de Jojo, conhecendo a série e passando a adorar aquilo e querendo acompanhar junto.

Por mais que com Jojo eu sempre pareça aqueles velhos que ficam tipo “heh, no meu tempo isso aqui era tudo mato e não tinha ninguém andando por aqui igual tem hoje”, era muito legal ver pessoas conhecendo aquilo que eu já gostava e curtindo junto, e mais legal ainda ver os (poucos) velhos fãs, eu incluso, recebendo os iniciantes de braços abertos no clubinho. Depois da estreia desse anime, o sucesso foi tanto que a popularidade da série simplesmente cresceu de uma maneira absurda que eu nunca imaginava naqueles tempos que eu e mais seis nego ficava discutindo qual stand  seria o mais útil no nosso dia-a-dia numa comunidade velha do Orkut. De repente todo mundo sabia o que era Jojo’s Bizarre Adventure e tinha gente gostando tanto que foi até atrás do mangá depois ler o resto que ainda não tinha sido adaptado pela série de TV de 2012, que adaptou as duas primeiras partes do mangá em seus 26 episódios. Hoje em dia sempre que uma parte termina de ser adaptada, ficamos na expectativa de cerca de um ano ou mais até anunciarem a próxima e assim acabarem vindo mais novos fãs. No momento da publicação deste texto, estamos rumando aos episódios finais da adaptação da quarta parte, Diamond is Unbreakable (que é uma das que mais gosto). Quem diria que esse sucesso iria longe assim?

Stardust Crusaders, a terceira parte... Hoje em dia pode não ser a favorita de muitos ou uma das mais elogiadas, mas ainda é uma das que eu mais gosto. Não consigo não sorrir lembrando da jornada maluca que foi acompanhar essa Road Trip do Japão até o Egito de cinco caras e um cachorro pra esmurrar um vampiro de mais de um século de vida.

Stardust Crusaders, a terceira parte…
Hoje em dia pode não ser a favorita de muitos ou uma das mais elogiadas, mas ainda é uma das que eu mais gosto. Não consigo não sorrir lembrando da jornada maluca que foi acompanhar essa Road Trip do Japão até o Egito de cinco caras e um cachorro pra esmurrar um vampiro de mais de um século de vida.

[acho que vale a pena dizer brevemente que, junto com o anime de 2012, anunciaram também “All-star Battle”, um jogo de luta exclusivo do PS3 que reunia uma caralhada de personagens das 8 partes do mangá para trocar pancadas e parecia o jogo dos sonhos mais molhados de qualquer fã da série. Eu estava bastante empolgado para jogar, mas quando enfim pude colocar minhas mãos no jogo, fiquei bastante decepcionado. É ótimo com fanservice, mas como jogo de luta em si me decepcionou muito. Talvez eu seja só um fominha demais do gênero. Por outro lado, o jogo de luta de Stardust Crusaders feito pela Capcom no meio dos anos 90 ainda é ótimo de jogar e, apesar de meio quebrado, é uma opção mais atrativa para entusiastas de jogos de luta]

Mas aí, comentei da minha história com a série, de como descobri, vários momentos marcantes meus com ela, a popularidade explodindo de maneira inacreditável mas acho que talvez eu não tenha falado do mais importante: Por que eu gosto tanto desse mangá de gente com roupas extravagantes fazendo poses e soltando frases de efeito uma atrás da outra e o que temos para celebrar nesses 30 anos?

Eu diria que o segredo da receita de sucesso de Jojo’s Bizarre adventure pode ser explicado com os seguintes elementos: Carisma, personalidade e sinceridade.

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Jojo está longe de ser um mangá perfeito. Ele tem suas imperfeições aqui e acolá e algumas delas são feias como fraturas expostas mas é engraçado como que, mesmo com isso, ele ainda é extremamente forte no que faz de melhor: ser uma série carismática e com personalidade bem única. Quantos mangás com a mesma extravagância memorável de Jojo você consegue se lembrar? Por que muitas vezes aqueles sobretudos compridões de roupa de delinquente escolar japonês muitos de nós associamos logo à vestimenta tradicional de Jotaro Kujo (ou lembramos do topete do Josuke)? Por que a gente sempre fica brincando imaginando poderes de stands? Por que o ZA WARUDO virou meme lá pelo meio dos anos 2000 (motivo esse pelo qual ser extremamente raro alguém chegar na reta final da parte 3 sem já saber previamente o poder do stand do Dio)? Tudo isso é extremamente memorável e se Jojo não te pegar pela substância, pega por isso. Ele tem muito apelo e é único o bastante com todo o conjunto de seus elementos para que você se lembre dele.

Jojo é meio bregão também e não esconde isso. Desde a sua primeira parte já mostra isso com vários momentos recheados das coisas que descrevi no parágrafo anterior e essas foram tomando formas diferentes ou evoluídas nas partes seguintes do mangá. Cada parte tem um sabor diferente, e ao mesmo tempo familiar. Sempre sabemos que teremos aquela extravagância, frases de efeito e situações malucas que podem ou não fazer sentido mas a gente abraça aquela maluquice porque o senhor Hirohiko Araki sempre nos vende bem suas ideias, mas ao mesmo tempo, a cada parte nova, a forma como isso é exposto muitas vezes é diferente. Isso é a essência principal de Jojo, é uma franquia que sempre se reinventa com os tempos e vai evoluindo conforme experimenta coisas novas e seu criador também aprende a usá-las. Parafraseando Raul Seixas, Jojo é como uma Metamorfose Ambulante (e eu posso ou não ter feito essa analogia tão sem explicação quanto os poderes do King Crimson unicamente pra dizer que “Walking Metamorphosis” daria um bom nome de stand).

Mas acima de tudo isso, ou juntando tudo isso, Jojo cumpre perfeitamente a mais primordial das funções do entretenimento: justamente, ser entretenimento. Jojo é divertido. Longe de ser perfeito, uma obra-prima ou coisa do tipo, mas é algo extremamente competente no que se propõe e nunca fugiu disso em nenhum momento, mesmo nos seus níveis mais baixos. Esse mangá é um testemunho de como criar um produto com bastante personalidade e distinto o bastante para que todos se lembrem dele mesmo consumindo várias outras coisas. Pode não ser a coisa mais original do mundo, principalmente nas suas primeiras partes, mas será o bastante pra ficar com você, da mesma forma como carrego essas histórias e personagens comigo há quase uma década que leio a obra de Araki.

Sendo bem frio e crítico, posso até não falar “porra, Jojo é um dos melhores mangás que eu já li”, mas ele me é tão importante e único e representou tanta coisa pra mim que eu consigo dizer com segurança que ele talvez seja o meu mangá favorito, ou pelo menos um dos que mais guardo no coração com muito carinho e, basicamente esse é o maior motivo de eu ter me proposto a escrever este texto: prestar uma singela homenagem a uma obra que me foi tão marcante que acaba de completar três décadas de existência.

Parabéns, Jojo’s Bizarre Adventure, pelo seu aniversário, e obrigado, Hirohiko Araki, por esses anos todos que eu me divirto lendo e relendo esse negócio sem enjoar nem um pouco.

(o vídeo a seguir tem spoilers num geral da série. Só avisando mesmo)

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3 comentários sobre “Feliz aniversário de 30 anos, Jojo’s Bizarre Adventure!

  1. Amei esse texto e sua história com Jojo.

    Sou um novo leitor, comecei a ler a pouco menos de 3 meses e estou começando a parte 6. Até agora a minha parte favorita é a 5 e estou muito ansioso com a adaptação pra anime. (Mesmo que seja concenso dos fãs que essa é uma das piores partes senão a pior).

    Bem, conheci esse blog a partir de uma resenha de oyasumi punpun lá de 2011 e devo dizer que estou adorando o conteúdo daqui.

    E, sei lah, não estou acostumado a comentar nesse tipo de coisa então.. um abraço a vocês hehe.

    • Sinta-se à vontade pra comentar. Comentários são sempre bem-vindos, hahaha. Fico feliz que tenha gostado do texto e agradeço por ler nosso conteúdo.

      Eu gosto da parte 5 também (apesar de não ter nenhuma que eu não goste), mas é uma das que eu menos gosto APESAR DE ela ter algumas das melhores coisas da franquia inteira em questão de carisma e tudo mais, mas há o porém de ela ser assolada por uma tradução horrível que reza a lenda mudar bastante coisa, mas ainda não li em japonês pra conferir. Já estão fazendo uma tradução boa pra ela pro inglês igual fizeram com Diamond is Unbreakable, mas acho que ainda vai demorar pra terminarem tudo.

      • O que me vendeu na parte 5 foi a mudança de dinâmica. As primeiras duas partes são histórias muito fechadinhas com começo, meio e fim, a parte 3 parece tentar uma coisa diferente que acabou me cansando (mesmo que eu adorei o conceito das cartas de tarô e talz, tanto que o que me atraiu a ver Jojo foi a semelhança absurda com persona), a 4 foi algo mais simples e carismático e a 5, para mim, foi o começo da união entre o que eu gostei da 3 e da 4.

        É claro que a parte 5 comete o mesmo erro da parte 3 que é não desenvolver muito o vilão (não consigo aceitar o argumento do “como é o mesmo vilão de uma história anterior, o leitor deve aceitar o personagem da mesma forma”), o que é um erro estranho do ponto de vista evolutivo do método de contar histórias do Araki.

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