No Man’s Sky – Quando o hype prejudica um jogo

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Criado pela Hello Games, uma desenvolvedora até então não muito conhecida, No Man’s Sky é o jogo de exploração espacial com a premissa de que você pode explorar quintilhões de planetas gerados proceduralmente (ou seja, cada um deles são diferentes em tamanho, temperaturas, relevo, fauna e flora). Planetas únicos. Exploração quase sem limites. Tudo isso causou um grande alvoroço nos fãs de ficção científica e arrastou multidões para o famoso trem do hype.

Algo de tamanha magnitude gerou um grande debate no mundo virtual: será que um jogo com essa premissa pode mesmo existir? Será que vai possuir tantos planetas assim? Será que vai ter isso? E aquilo?
Após altas expectativas e uma ansiosa espera, finalmente o jogo acabou sendo lançado para o Playstation 4 no dia 9 de agosto, após alguns atrasos. Os que esperavam pela versão do PC precisaram aguardar mais alguns dias, mas quem possuía o console de nova geração da Sony pôde desfrutar antes. E este é o meu veredito:

Se você tem um PS4, pense duas vezes antes de comprar.

Se você vai jogar no PC, espere uma sale com um bom desconto (mas se não aguenta esperar, compre logo de uma vez, já que é mais barato que a versão de PS4).

Por quê isso? Bom, No Man’s Sky não é ruim. Não é aquela maravilha esperada e bastante divulgada como foi a imagem que passaram sobre o jogo. É aproveitável, mas pode não ser o bastante para você gastar quase 200 reais.

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No Man’s Sky não possui exatamente um enredo. Você começa com sua nave destruída em um planeta totalmente desconhecido. Ali você encontra um objeto em forma de diamante que se auto denomina “O Atlas”. Ele é seu guia no jogo, ele é que dá todos os objetivos que serão revelados e seguindo-o você será capaz de chegar no centro do universo. Começando como a consertar a sua nave, escapar daquele planeta, montar um propulsor capaz de levá-lo de uma galáxia a outra e assim em diante. Em rumo ao centro do universo.

Os trailers de No Man’s Sky passaram a ideia de que seria um jogo onde você poderia explorar planetas, viajar por galáxias, batalhar contra outras naves (você pode dar uma de “GTA” no jogo, se quiser), catalogar novas espécies de animais e plantas, vender recursos que encontrar e etc. Você teria um universo inteiro para navegar. Mas é muito mais do que isso. Assim como também é bem menos do que o esperado.

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O jogo é imenso, faz você se sentir pequeno assim que você consegue escapar do seu planeta inicial. Esta imensidão é algo que eu nunca vi com nenhum outro jogo, sendo este um Skyrim ou GTA. É realmente incrível toda a formulação procedural de um planeta. Uma hora você aterrisa em um planeta totalmente gélido, logo depois descobre que outro planeta é mais desértico, outro é florestal e por assim vai. Várias características dão um ar de individualidade, assim como animais e plantas totalmente diferentes que você acaba descobrindo nas suas explorações. Você pode explorar os planetas em busca de monólitos para descobrir mais sobre outras espécies, como o passado, idioma e até profecias.

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Porém, logo você percebe que não há uma variedade tão grande assim. Depois de várias horas, algumas plantas começam a parecer iguais às que você já viu, mesmo estando em um sistema solar diferente. A construção dos planetas começa a parecer monotóna, pois como é algo estruturado aleatoriamente, nem sempre vai ser aquela beleza que você espera, o que não é nenhum defeito, mas causa uma certa frustração. Dá para notar que você está realmente sozinho naquele jogo, que você é o unico ser humano explorando aquele gigantesco universo. É como se você estivesse jogando GTA Online numa sessão solo. Ou aquela partida de CS com bots. É um multiplayer tão imenso que não parece ser um multiplayer.

No Man’s Sky tem suas qualidades e defeitos. Mesmo escrevendo esses pontos negativos (não sei se esqueci de mais alguns), há suas qualidades e tudo isso é o bastante para entreter. Um dia após ter jogado pela primeira vez, eu passei facilmente 4 horas jogando e acabei explorando apenas 2 planetas. Aquela sensação de querer explorar mais, de descobrir algo incrível naquele planeta, de saber mais sobre a civilização de uma raça alienígena e sobre seu idioma, de vender mais e mais recursos para comprar uma nave nova. Tudo isso para mim foi algo divertido e é exatamente o que esperamos de um jogo, não é? É aí que eu reforço o meu veredito. Talvez não seja o jogo para você. Você pode acabar enjoando e achando monótono antes mesmo de ir para outra galáxia. Pode achar repetitivo explorar planetas e sair atrás de recursos para vender. Às vezes eu também acho, mas continuo jogando, só não sei por mais quanto tempo esta motivação continuará.

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Por isso pense bem antes de comprar No Man’s Sky. Abaixe suas expectativas para o que o jogo parece ser para você. Pode parecer estranho, mas mesmo em meio aos defeitos, tente usar a sua imaginação para contar a sua própria história dentro do jogo, pois pode acabar ajudando na quebra da monotonia.
O fato é que houve uma expectativa imensa criada em volta desse projeto. Mais parecia um novo jogo AAA feito por uma Rockstar da vida, do que um jogo ambicioso feito por uma pequena equipe. Para algo criado por apenas um grupo de pessoas, é um feito e tanto.

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