O nada convencional Deadpool

DEADPOOL

Deadpool: Virando filmes de heróis ao avesso.

Os créditos iniciais começam e algumas frases tirando sarro do filme, do elenco, dos produtores e de tudo que é possível começam a aparecer na tela. Uma delas é “it’s a comic relief”. E é, acho que essa é a frase que pode resumir tudo que o filme “Deadpool” é. Um filme que não se leva a sério e não precisa ser levado a sério por ninguém mais. Diferente de o que os outros filmes do gênero tentam.

Ex-militar e mercenário, Wade Wilson (Ryan Reynolds) é diagnosticado com câncer em estado terminal, porém encontra uma possibilidade de cura em uma sinistra experiência científica. Recuperado, com poderes e um incomum senso de humor, ele torna-se Deadpool e busca vingança contra o homem que destruiu sua vida.

Quando a Fox anuncia que irá produzir um filme sobre o Deadpool você fica com um pé atrás, claro. Imagens começam a ser projetadas na sua cabeça, como os filmes do Wolverine, em especial “X-Men Origens: Wolverine” onde aparece, de certa forma, uma versão do Deadpool que bem, não é nem um pouco parecida. Você começa a se lembrar dos filmes do Quarteto Fantástico e não consegue acreditar que a Fox consiga fazer um bom filme do Mercenário Tagarela. Aí eles ao menos anunciam que terá uma faixa etária bem alta e você começa a querer ver como pode vir a ser esse filme. E bem, essa foi toda minha reação desde o anúncio até o momento que assisti o filme. E o que posso dizer é que eu estava totalmente enganado.

Deadpool, de Tim Miller, pode ter sido a melhor experiência vinda de uma história de quadrinhos, tanto da Marvel quanto da DC, para os cinemas. Foi o filme que mais ousou e tentou utilizar de elementos que você não veria em outros filmes. Uma autêntica metralhadora de piadas. A cada minuto que o personagem vivido por Ryan Reynolds abria a boca, uma piada vinha. Os temas que ele utilizava? Elenco do filme, toda a mitologia dos heróis no cinema, música, atores, orçamento do próprio filme e a lista continua. Somando isso com a esperada quebra da quarta parede, algo característico das histórias do personagem, se torna uma divertida forma de acompanhar o longa. Não dá para se dizer que todas às vezes que tentaram utilizar de um humor, seja pelas falas, pelo visual ou pela ação, foi fluído. Uma hora ou outra acabava parecendo forçado, mas em momento algum isso cansa. Uma das cenas mais memoráveis para mim, e que nunca esperaria em ver em um filme do gênero foi uma envolvendo a ida de Deadpool à Mansão Xavier. Bem, não é um spoiler, claro. Chegando lá o mercenário vê apenas dois dos X-Men, e de sua boca veio um: “Só tem vocês dois nessa mansão gigantesca? O estúdio não teve dinheiro pra bancar os outros X-Men?”.

E claro que não podemos falar só do Deadpool, afinal o elenco não é composto só por ele. O antagonista do nosso protagonista é interpretado por Ed Skrein, e segundo os créditos iniciais, é um “Vilão britânico”. É um personagem que poderia ter sido utilizado de uma melhor forma, mas talvez o modo como ele tenha sido utilizado aqui tenha sido perfeito para o modo como o filme se construiu. Uma dinâmica interessante que o filme nos traz é a do personagem Colossus, interpretado pelo Stefan Kapičić, da Negasonic Teenage Warhead, interpretada pela Brianna Hildebrand, com o querido mercenário. Eles representam uma forma de agir que seria contrária ao Deadpool, um pouco mais justa e moral. Isso sendo representado mais pelo mutante metálico Colossus. E boa parte do filme é o mesmo tentando trazer o Deadpool para os X-Men, assim consequentemente tentando mudar a forma dele agir. Também temos a Morena Baccarin, que é a namorada de Wade Wilson antes de se submeter ao projeto que o faria se tornar o que é hoje, e também interesse amoroso do mesmo durante todo o filme. O que pode vir a ser um problema, afinal, o personagem não possui amor algum por alguém além da Morte.

A direção do filme, tirando algumas piadas forçadas, é excelente. O filme se desenvolve entre tons humorísticos e violência incrível. Afinal, o que o Deadpool não faz é deixar seus inimigos vivos. A construção é feita em dois tempos narrativos diferentes: Começa e segue no tempo presente, mas ao decorrer do longa aparecem cenas do passado mostrando como o personagem chegou naquele presente momento da história o que o motiva a fazer aquilo, não deixando o filme sem nexo e muito menos cansativo essa forma de construção.

Devo dizer que o Ryan Reynolds me impressionou bastante ao executar esse papel. Uma das piadas feitas pelo mesmo durante o filme, e que caracteriza a forma como eu o via, é perfeita para ilustrar esse momento. Deadpool, com sua língua afiada, diz que o Ryan Reynolds só consegue papéis graças a sua aparência, não graças a sua atuação. O ator consegue segurar toda a intensidade do personagem e suas características conhecidas. Dá para se dizer que é um personagem que cabe como uma luva no ator.  

DEADPOOL

E pode se dizer também que o filme faz diversas paródias a tropes e elementos decorrentes da cultura pop e até mesmo de filmes convencionais de super-herói. Alguns podem dizer que isso é uma interpretação exagerada, mas vejo que Deadpool, ao utilizar do artifício de slow motion durante suas cenas de ação, esteja parodiando os filmes que utilizam isso o tempo todo para construir os seus combates. E outra cena em que pode se perceber as paródias do filme, é no ato final em que é praticamente todo uma construção em torno do elemento de resgatar uma donzela em perigo.

Deadpool é isso, um filme que se difere dos outros do gênero ao brincar com os mesmos e a ousar fazer o que seus predecessores não tentaram fazer. Utiliza de cenas de violência nunca antes vistas em filmes da Marvel. Possuí incontáveis cenas e diálogos utilizando um humor ácido e icônico do personagem, que te deixam o longa inteiro com um sorriso no canto da boca. Antes de mais nada, foi uma grande adaptação dos quadrinhos para a tela. Muitos dos elementos permaneceram o mesmo, outros nem tanto, mas isso não estraga em momento algum a essência do que é algo do Deadpool. Um ou outro elemento criado pelo filme pode vir a estragar uma possível sequência se não utilizada de forma correta. E após os créditos, que de certa forma vão te fazer rir, há uma cena pós-créditos que, assim como o filme, vai te fazer soltar uma gargalhada, que é um misto de alegria com alívio. Afinal, é tudo um alívio cômico, como os créditos iniciais disseram. Você sai da sala de cinema com sorriso no rosto e pensando em como a Fox te surpreendeu.

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