MISSÃO FICÇÃO AWARDS – Top 5: Os papéis dos mangás lançados no Brasil em 2015

Awards Mangá no Brasil

Sejam bem-vindos a mais um texto da série do Missão Ficção que você (já) tanto ama. Eu sou Gustavo Boxa, e irei guiá-los por essa jornada. O quê? Você nunca me viu por aqui?! Mas é claro que não, este é meu primeiro texto! E espero que vocês me recebam bem. Para me apresentar, bem, eu geralmente gravo alguns podcasts mundo afora, mas a forma mais fácil de me encontrar é por Gustavo Boxa. Chega de enrolação, você não está aqui por minha causa, e sim para ler o que eu preparei para você. Pode se preparar, porque a ‘piada’ do título não é meramente jogada, e eu irei aproveitar bem essa temática.

Meus amigos de blog fizeram seus tops e eu fiquei com inveja e quis fazer o meu. Mas, não consciente dos mangás mundiais lançados durante 2015, resolvi então focar no que eu tive muito mais contato: O mercado brasileiro de mangás, que inclusive passou, em 2015, por uma famosa crise, a crise dos papéis. Isso, no entanto, não impediu as editoras de anunciarem mangás ‘a rodo’, mas as impediu, muitas vezes, de fazer um bom trabalho em suas obras. Darei breves explicações contextuais sobre os mangás, ao passo que os apresento. As obras aqui listadas seguem uma ordem que eu considero de importância e não só “eu gostei mais”. Eu mesclei fatores e mais fatores e joguei aqui nessa lista, então, preparem-se, pois o primeiro mangá é:

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5º Lugar – Green Blood

Ok, oficialmente esse mangá saiu pela JBC na CCXP de 2014, mas, nas bancas, a forma que eu comprei, ele saiu em Janeiro de 2015. Green Blood tem uma história exagerada e um final que parece apressado, mas, no geral, Green Blood é um mangá com um estilo muito bem definido e que se encaixa perfeitamente em seu próprio traço. Escrito e desenhado por Masasumi Kakizaki, Green Blood conta a história dos Burns, Luke e Brad, que tentam sobreviver com garra e esperança em Five Points, um lugar cheio de pobreza, desesperança e discriminação, cheio de imigrantes que vieram de outros países para New York, na busca de uma boa vida. O bairro é dominado pelas gangues e, sem seu irmão saber, Brad se tornou o principal assassino, conhecido como Grim Reaper, da atual maior gangue do bairro, a Grave Diggers, em busca de conseguir o dinheiro suficiente para dar uma vida melhor ao seu irmão mais novo, Luke, que secretamente odeia as gangues. Ambos moram sozinhos, devido ao fato da mãe deles ter morrido há muito tempo, e de seus pais ser um cara bem escroto que os abandonou à própria sorte, fazendo com que Brad tente, um dia, se vingar dele.

Temos então nosso ponto principal da história já jogada aqui. Brad e Luke, tentando sobreviver ao meio, enquanto Brad secretamente age para que o meio seja o que é, mas seu objetivo maior sendo o bem-estar do irmão mais novo e também a morte do próprio pai.

A história traz alguns desenrolares inesperados e nos quebra diversos pontos, a questão das gangues é bem trabalhadas e acaba me lembrando um outro mangá, Jackals, que trata bem o tema de gangues. A disputa das gangues se torna um conflito interessante na história e desenvolve bem a questão do Luke, e seu ódio, e de Brad, e seu próprio envolvimento. O traço de Green Blood é muito bom e consegue passar forte as emoções e as situações, além de fazer com que as situações fiquem mais grotescas em devidos momentos, com os tiros e as mortes que ocorrem no mangá. É um daqueles mangás ~edgy~, para você mostrar para seus amiguinhos que essas histórias não são só de garotas bonitinhas na escola fazendo gracinhas e caindo e mostrando os peitos (Que são as melhores histórias, diga-se de passagem (e não, To love-ru não está na minha lista)), mas Green Blood consegue sair desse mero preconceito e trazer uma história mais envolvente, até o final que, apesar de aparentemente apressado, consegue fechar bem a história dos irmãos. Há um epílogo que é… questionável, mas como ele é apenas um capítulo, você pode facilmente deixá-lo de lado.

Green Blood se encontra em quinto lugar porque sua importância é, para mim, considerada pequena. É uma história curta e de poucos riscos, com uma temática que fortemente mostra a busca da editora por fãs de fora da HQs, que são bons fatores, mas, apesar disso, sente-se que a obra em si é um pouco mais fechada do que parece, mais grotesca, e que pode afastar pessoas que não estão acostumadas a esse tipo de visual mais gore. Além disso, é uma obra facilmente encontrável em meios ilegais na internet e que, provavelmente, já deve ter sido lida por muitos e comprou mais quem gostou da obra. Esse problema, no entanto, é um pouco contornado pelo nosso próximo colocado.

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4º Lugar – Zetsuen no Tempest

Temos, então, um mangá com fortes inspirações Shakeaspearianas. Zetsuen no Tempest é uma obra em colaboração de três pessoas, sendo escrito por Kyou Shirodaira, editado/revisado por Arihide Sano e ilustrado por Ren Saizaki. A história conta sobre Mahiro Fuwa, um adolescente cuja irmã e pais morreram, misteriosamente, um ano antes do início do mangá, e seu amigo Yoshino Takigawa, que era, secretamente, o namorado da irmã de Mahiro, Aika Fuwa, sem que ele soubesse. Mahiro, um dia, encontra um boneco de madeira, que é uma forma de comunicação com a maga mais poderosa da terra e líder do clã Kusaribe, Hakaze Kusaribe, que foi jogada em uma ilha deserta devido a um plano do seu próprio clã, para se livrar dela e ressuscitar a árvore rival do clã, uma espécie de entidade, como um Deus, conhecida como Árvore do Apocalipse que, junto do seu despertar, parece estar trazendo fortes infortúnios ao mundo, como transformar cidades inteiras e sua população, em pessoas que não conseguem se mover, petrificadas, seres de puro metal. Ao encontrar esse boneco, e se comunicar com Hakaze, Mahiro, auxiliado por Yoshino, decide então ajudar a maga a retornar ao seu posto merecido, como líder do seu clã, em troca dela ajudá-lo a descobrir quem foi que matou sua família.

É uma história simples, mas que é muito bem explorada em seus “10” volumes (o décimo é um extra). Há uma série de plot-twists e, incrivelmente, são muito bizarros. O mangá consegue ser um mestre de discursos, contendo coisas absurdas que são usadas como simples lógica pelos membros do grupo principal. Há confrontos de ideias, debates e muitas falas usadas no mangá. O mangá também usa sua forte inspiração de Shakespeare, pegando, não só frases dos livros Hamlet e d’A Tempestade, como também usando conceitos das obras no mangá. O escritor realmente usa os livros como inspirações para seu mangá e vemos isso acontecendo cedo na história, quando Yoshino resolve confrontar Samon, o atual líder substituto, e revela, através de lembranças com Aika, a irmã do Mahiro, que a vida dele é bem parecida com a vivida no livro d’A Tempestade.

O conceito de magia aqui é fortemente aceito, porque o clã Kusaribe depende da energia de uma árvore, a Árvore do Genesis, que os concede força e poderes simples, como curas, mobilidade e defesa, em troca de ferramentas humanas, lembrando fortemente o conceito da troca equivalente de Fullmetal Alchemist. Mas mesmo com esses proveitos da árvore, o clã Kusaribe decide jogar sua líder em uma ilha deserta para despertar a árvore rival, a Árvore do Apocalipse. No entanto, a história consegue quebrar alguns padrões básicos e nos surpreende com suas bizarrices e questões que dificilmente imaginaríamos na própria história.

Esse mangá se encontra aqui não só pela sua história, estranhamente envolvente e que melhora progressivamente, mas também porque é um mangá que as scans eram totalmente inacabadas em inglês e saiam muito raramente. Conforme o mangá saia aqui, as scans também ainda saíam mais ou menos na mesma parte da história, e em um determinado momento valeu muito mais a pena comprar por aqui do que tentar esperar por essa obra sair, sabe-se lá quando. Inclusive, teve um período, de Maio a Outubro, que não saiu nada das scans. Além disso, no momento que eu escrevo isto, acabo de descobrir que o último volume finalmente saiu, um dia antes do Natal. A importância deste mangá é clara, é um mangá totalmente difícil, enquanto saia, para quem não sabia nada de japonês, e é provável que a produção nacional desse mangá foi o que motivou essas scans a finalmente terminarem uma obra que começou a ser traduzida e lançada em 2010. 5 anos, de 10 volumes, sendo lançados, não é fácil para ninguém. O mangá veio em um formato questionável, principalmente levando em conta seu valor, mas ele não reduz em nada a história e vale a pena comprar para acompanhar. Além disso, como dito anteriormente, o décimo volume é puramente bônus e não interfere em nada na história, compra quem quer.

Mas, claro, o problema é que Zetsuen no Tempest não é popular. E sua história, além de poder ser considerada lenta, sem graça, confusa e bizarra, devido a suas soluções e plots anormais, também pode ser considerada algo pseudo, em que o autor joga o que quer para parecer ser mais inteligente do que realmente é. Apesar de eu não concordar, além de gostar de poemas, e achar que o autor tem uma pegada forte nessas inspirações, não há de se negar que há argumentos para tal. A obra teve um anime, que é considerado bem ruim, e não serviu para aumentar sua popularidade. Então, apesar da obra se encaixar no perfil da JBC, ela é muito arriscada, ao contrário da nossa próxima obra.

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3º Lugar – The Seven Deadly Sins (Nanatsu no Taizai)

 

Em Março de 2015 nós fomos surpreendidos com algo que não costuma acontecer nos tempos atuais da JBC, o lançamento de um shonen ainda em publicação no Japão e com uma popularidade alta. Aproveitando fortemente o timing do anime, que foi exibido de Outubro do ano passado a Março deste ano, a JBC conseguiu trazer uma obra de em torno de 18 volumes, em publicação, que tem uma fanbase relativamente alta. Não era algo que costumávamos ver acontecendo recentemente na JBC, que tinha se estabelecido como uma editora mais de nicho e sem arriscar muito, ao passo que a Panini pegava os populares, principalmente da Jump. Isso veio a se repetir com Terra Formars, lançado meses depois, que, na minha opinião, é mais arriscado do que Nanatsu no Taizai, mas que também teve um aumento de popularidade na internet, devido ao anime lançado no fim do ano de 2014.

The Seven Deadly Sins conta a história do Reino de Liones, localizado na Britannia, que, não bastando o nome se remetendo à Bretanha, tem uma ambientação claramente inspirada nos padrões antigos e feudais da europa, provavelmente se referindo à ilha da Grã-Bretanha ou, talvez, à região administrativa ao oeste da França, também conhecida como Bretanha e que hoje é reconhecida como uma das seis nações Celtas. Isso fica claro  principalmente devido ao fato de termos a presença futura de um personagem chamado Arthur e de uma maga chamada Merlin, além da presença de druidas, uma forte alusão aos Celtas.

Elizabeth, uma das princesas do Reino de Liones, se encontra na procura dos sete pecados capitais, uma série de sete grandes guerreiros que antes serviam ao rei de Liones, mas que, após serem considerados traidores, se espalharam pelo mundo e foram considerados fugitivos. Após ter o reino dominado pelos líderes dos cavaleiros sagrados, os Great Holy Knights, Elizabeth decide então achar os pecados para que eles a ajudem a recuperar o reino, pois ela não crê que esses cavaleiros sejam realmente tão bons quanto fazem parecer. Elizabeth então se depara com Meliodas, o pecado da Fúria, e Hawk, um porco que fala, se tornando garçonete no bar que eles administram e, daí em diante, os três partem em busca dos demais pecados, visando adquirir a ajuda deles.

A história é relativamente simples, mas é expandida conforme o mangá segue. O próprio mangaka, Suzuki Nakaba, disse que ele pretende fazer uma história de grandes proporções, e isso se torna claro quando vemos que a obra não tem nenhum objetivo final. Com o tempo, você percebe que o autor termina como ele bem entender e, se isso é um problema ou não, cabe ao leitor ter sua opinião própria. As lutas são bem feitas, apesar do traço ser relativamente estranho e sem proporções em algumas cenas, e os personagens têm poderes bem interessantes, que, vez ou outra, trazem resultados bons para os conflitos. Há elementos fantasiosos, como demônios e magias, que conseguem expandir a história e trazer mais aprofundamento para os personagens. No geral, Nanatsu no Taizai tem um bom desenrolar e não decepciona. Ele, inclusive, traz sutilmente indícios interessantes do que será usado no futuro da história, fazendo com que uma releitura te faça perceber alguns bons detalhes. Os personagens são carismáticos e a histórias deles são bem contadas, a maioria dos personagens é bem reconhecível e, a não ser por nomes complicados, você lembrará facilmente de quem eles são.

Nanatsu no Taizai é um dos mangás ainda satisfatórios da JBC, que aconteceram antes da famigerada ~crise do papel~. Para aqueles que não sabem direito, mais ou menos nessa época, os mangás lançados pela JBC começaram a ganhar um papel off-set que tem uma transparência elevada demais. E em alguns casos, isso chegou a um extremo que não dá para suportar. A minha escolha de mangás aqui serviu para contar um pequeno caso de como a JBC tinha uma forte dominância, com objetivos claros, de mangás lançados no Brasil, com seu forte nicho, mas ela conseguiu estragar isso fortemente lançando mangás cuja qualidade andam questionáveis demais para seus valores. Titulos importantes como Limit, Gangster, Ultraman e, principalmente, Orange, tiveram suas qualidades drasticamente afetadas, tornando-se compras arriscadas e muito difíceis de se fazer. O esforço da editora para contornar isso é mínimo, se não nulo, e não há bem uma previsão para a possibilidade de melhoria desses problemas. Mas, talvez, o nosso primeiro colocado seja um fluxo de esperança para os leitores que acompanham os mangás da editora. Antes disso, no entanto, tenho que falar da provável melhor ideia que tiveram para lançar aqui.

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2º Lugar – Planetes

 

Em 2014, a Panini trouxe Vinland Saga, seguindo fortemente a ideia da própria editora com seus mangás populares e em publicação no Japão. Com uma edição simples, mas ainda assim de uma qualidade considerável, Vinland Saga apresentou Makoto Yukimura para o Brasil. Se foi um sucesso de vendas ou não, é difícil dizer, principalmente pela ausência de anime para emplacar as vendas, mas é um mangá de forte popularidade na Internet e com uma história incrível que, por si só, merece a leitura.

Mas não estamos falando de 2014. Provavelmente, aproveitando um – arrisco dizer –  possível sucesso de Vinland Saga no Brasil, em 2015 a editora resolveu trazer Planetes. Um mangá curto, de 4 volumes e que, apesar de também ser de Makoto Yukimura, não tem a mesma pegada que Vinland Saga e é consideravelmente mais arriscado. Planetes é um daqueles mangás que serve para atrair o público de outras mídias que, ao passar pela banca, se depara com um mangá que aparentemente tem uma temática mais profunda. Planetes não foi trazido com o mesmo intuito que Vinland Saga, apesar de ser do mesmo autor, e isso se demonstra claramente em sua qualidade.

Enquanto Vinland Saga segue o padrão clássico do popular para todo colecionar comprar e poder ter seus mangás favoritos na mão, Planetes é um material muito mais específico para alguém que realmente tenha vontade de colecionar e cuidar de um mangá. Por menos de 20 reais você leva um mangá que tem páginas coloridas, inclusive no meio do mangá, que tem uma capa bem cuidada e, ainda por cima, que tem orelhas, algo que não costumamos ver e que geralmente acontece com materiais mais considerados realmente para colecionadores. É um preço caro, pagar 19 reais para ter um mangá, mas o fato de Planetes ser 4 volumes é muito bom e certamente ajuda suas vendas. Além de, claro, poder ser um mangá que as pessoas comprem todos de uma vez ao término do lançamento.

A história acontece em um futuro próximo e conta sobre o grupo que habita a DS-12, conhecida como “Toy Box”, da seção de lixos espaciais da Corporação Technora. O objetivo deles é de prevenir os desastres que são provocados com as colisões de lixos espaciais com satélites, estações espaciais e naves nas órbitas da Terra e da Lua.

A história é, na verdade, um show de desenvolvimento de personagem, geralmente utilizando conceitos simples, como as coletas de lixos espaciais, para seus objetivos. Os membros da seção de lixos espaciais são geralmente vistos como o mais baixo nível da companhia ao qual trabalham e precisam então provarem seus valores e cumprir seus sonhos, trabalhando o melhor que podem. De certa forma, podemos comparar Planetes aqui ao livro O Cortiço, e histórias parecidas, onde o protagonista da história não é Fulano aqui ou aquele cara lá, mas sim o próprio meio onde se encontra, sendo, no caso do livro do Aluísio Azevedo, o próprio Cortiço, enquanto em Planetes o protagonista pode ser a DS-12.

O mangá é relativamente curto, com seus 4 volumes, e serve bem para fazer o leitor interessado se prender aos detalhes da história. O traço do Yukimura aqui percebe-se que ainda não é aquele alcançado em Vinland Saga, mas ao mesmo tempo tem um charme próprio que se prende bem à própria temática do mangá. Sendo fechado em si mesmo, o mangá consegue aproveitar bem sua história para se estabelecer e é bem cultuado em um mundo mais hipster de mangás devido a sua pegada de história que acaba não sendo feita para ser popular.

Aquele não acostumado com o ritmo pode estranhar, refiro-me, claro, a quem está acostumado com mangás mais específicos e de ação pura como os shonens de batalha, como é o caso do nosso terceiro lugar, mas Planetes é definitivamente um mangá bonito e que pode te fazer sonhar e imaginar tudo o que está acontecendo, te prender, como um bom livro. Yukimura usou inspirações fortes da JAXA, a agência espacial japonesa, para desenvolver o mais fiel que pode a um ambiente espacial e conseguiu montar uma história com forte realismo e bastante naturalidade do que está tratando, apesar de acharem que a coleta de lixos espaciais no próprio espaço seja algo ao qual não valeria a pena ser feito, porque gastaria energia demais para pouca coisa.

Na minha opinião, em 2015 a Panini não trouxe novidades tão impactantes, mas veio com muitas promessas para 2016, que pode aumentar fortemente a presença da editora, pra mim, numa futura lista. No entanto, Planetes vale muito a pena colecionar, pois, além de tudo, suas capas conseguem ser bonitas e a atenção dada aqui foi algo acima do normal, valendo seu preço. O próximo mangá trata de um valor de preço ainda maior e que talvez valha seu custo, apesar de difícil de comprar, trazendo também uma possível redenção daquela editora ao qual teve grandes problemas por meses pela sua própria falta de cuidado. É, também, claro, o primeiro lugar da nossa lista, e por um motivo claro.

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1º Lugar – Blade, a lâmina do imortal (Blade of the immortal – Mugen no Juunin)

Não, aqui não estamos falando daquele vampiro caçador de vampiros que é interpretado pelo Wesley Snipes, mas sim da obra que chegou a ser lançada pela Conrad, mas que foi cancelada, como quase tudo da editora, devido aos seus problemas financeiros. Conseguindo seus direitos, e surpreendendo a todos, a JBC lançou no fim deste ano, já na CCXP, uma versão considerada Big, com dois volumes em um, de Blade of the immortal.

Blade conta a história de Manji, um samurai muito habilidoso com armas brancas e que recebeu uma maldição por ser criminoso demais, o forçando a ficar vivo, mesmo recebendo praticamente qualquer tipo de ferimento, devido a larvas que residem dentro dele, na condição dele matar 1000 pessoas más para pagar pelos seus próprios atos de malvadeza. Manji então se encontra com Rin, uma garota que teve seus pais mortos por Anotsu e seus seguidores, e, após esse encontro, Manji decide ajudar Rin a ter sua vingança contra Anotsu e seus adeptos, que passam a serem conhecidos como a Itto-ryuu.

Blade é um mangá forte, pesado, com bastante sangue e cenas de morte e cortes fundos, e isso ajuda a fortalecer e a trazer esse tema mais maduro que o mangá tenta buscar. Suas lutas também são muito boas, mostrando fortes disputas de espadas, e outras armas que os personagens usam, em combates mortais que te deixam empolgado de ver, ao mesmo tempo que podem facilmente te deixarem angustiado e apreensivo. O mangá tem um objetivo claro, a morte de Anotsu, mas há uma forte gama de personagens fora dos vínculos principais, como a Mugai-ryuu, que surgem para trazer uma trama muito mais densa para o mangá.

Os personagens também conseguem ser muito bem elaborados e há diversos que são muito bem desenvolvidos para a história e encaram, ou descobrem, seus propósitos durante a história, principalmente com as batalhas ao qual precisam enfrentar, sendo elas lutas de espada ou não. Os personagens são tão desenvolvidos, e bem desenhados, que você facilmente consegue reconhecer a maioria deles, e seus estilos de agirem, na trama, inclusive permitindo que você possa ter literalmente qualquer personagem da trama como um possível favorito, devido à grande variedade de jeitos. Os vilões da trama também acabam sendo muito mais variados do que o normal, tendo uma variedade de inimigos tanto realmente malvados quanto mais cinzas do que realmente parecem, com você questionando diversas ações, e mentalidades, que você poderia inicialmente pensar deles, inclusive com o próprio Anotsu sendo um personagem perfeitamente coeso em si mesmo e com fortes motivações para tudo o que faz. Além disso, há momentos chocantes e que deixam você arrepiado de acompanhar a história, com o traço ajudando em um forte realism, com as mortes sendo bem mostradas, com os cenários bem executados, e sendo, no geral, algo muito bonito de se ver.

A versão Big da JBC, no entanto, custa quase 40 reais, o que é um preço muito alto, mesmo se tratando de dois mangás em um. Por mais que haja uma parcela de pessoas orfãs de Blade, ainda é um risco lançar esse mangá nesse formato, pois, por mais que você reduza o risco da longa periodicidade, você aumenta o risco de pessoas que não terão dinheiro para se comprar. Isso é um pouco quebrado pelo fato desses mangás estarem indo para livrarias e lojas especializadas, o que permite que haja descontos futuros dos volumes por tais ambientes, mas ainda assim você acaba reduzindo sua parcela em um momento atual, mesmo que visando o momento futuro. O outro problema é, claro, se o mangá vale realmente tudo isso. Se você for considerar, são dois mangás de 19 reais, juntos, em um volume, é como se Planetes fosse lançado em dois volumes, no lugar dos 4, mas a qualidade desses mangás não se assemelha de forma nenhuma a Planetes. Ainda assim, há um certo capricho, você percebe que a editora se esforçou um pouco mais para evitar ter o problema do papel, que vem assolando os volumes mais baratos em circulação por ela mesma, e também que ela teve o trabalho de trazer páginas coloridas iniciais que são difíceis para os padrões do mangá em questão de licenciamento. Necessários, sim, mas relativamente difíceis. No entanto, devido à possibilidade de um desconto futuro, há de se considerar, e mesmo aqueles que comprem atualmente os volumes não irão se arrepender. Ao abrir o mangá você sente que Blade of the immortal está bem mais bonito do que as versões antigas e há os detalhes que fazem o mangá ser o belo mangá que é.

Finalizando, há, claro, fortes perspectivas para o ano de 2016, ainda mais considerando tudo que já está planejado por parte das editoras.

JBC promete trazer Akira e Ghost in the shell, anúncios de Março deste ano de 2015, que passaram quase um ano inteiro sem nenhuma novidade, mas que estão prometidos para 2016. No entanto, a JBC tem que tomar cuidado pois, como dito com Planetes, esses são mangás que atendem a uma parcela diferente do comprador habitual e precisam ter uma qualidade essencial com um valor de metade do formato Big ou com a qualidade de Zero Eterno, um belo mangá lançado em 2015, que não foi dito aqui, mas merece uma devida atenção. Não se pode trazer mangás conceituados como tal na qualidade de papel problemática que estão tendo. Nenhum mangá merece aquilo e não importa o quão você tente contornar com outros detalhes.

Panini tem uma série de mangás prometidos, como Pandora Hearts, Lovely Complex, Vagabond, e, meu favorito, Arakawa under the bridge, entre outros. Além deles, One-punch man foi prometido vir com orelhas, o que é uma questão interessante, considerando que isso aumentará o preço do mangá, mas, ao mesmo tempo, ele é um mangá popular, aproveitando a forte popularidade do anime, que deveria vir no “padrão dos populares”. No entanto, One-punch man merece ter orelhas pois elas fazem parte da brincadeira do autor com o mangá. Estou interessado em fazer uma continuação deste post para o ano que vem e ver se a Panini cumprirá minhas expectativas e aumentará sua presença na lista.

Nova Sampa, depois de um ano vazio, promete voltar com novidades relativamente interessantes e sem muito risco. Podem surgir surpresas, então estarei de olho.

NewPop anunciou 19 mangás para vir e promete anunciar mais em seu aniversário de Janeiro. Dos mangás anunciados, a maioria tem muita cara de NewPop e são curtos e com pouco risco. NewPop já é conhecida pela qualidade e fico sentido de não conseguir ter pensado em nenhum lançamento de 2015 que me interessasse em por aqui, estarei atento ao ano seguinte.

Claro, além das 4 principais, há outras editoras que também lançam seus mangás esporadicamente. Eu não costumo demonstrar interesse pela maioria, muitos não acho que valem a pena, mas quem sabe não haja surpresas, como foi o lançamento de Solanin, pela LP&M, há anos atrás?

No geral, temos um ano interessante para frente, mas se você precisar de 5 mangás para se lembrar de 2015, lembre-se desses e também lembre-se de toda a saga de problemas. Celebremos as boas escolhas, e critiquemos as más. E que venha o ano novo, feliz virada de ano para todos vocês, foi um prazer estar convosco escrevendo esse texto.

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