Superman: Paz na Terra – É Natal em Metrópolis

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Nos dias de hoje, o natal se sustenta através de muitos costumes, religiosos, culturais e sociais. E nele, muito graças ao que o messias cristão pregou, compaixão, união e compreensão são sentimentos que as pessoas lembram que têm e propagam. É Natal em Metrópolis.

O que um ser superpoderoso e naturalmente altruísta pode fazer em um dia desses?

Com o espírito natalino no ar, Paz na Terra propõe que o herói de Metrópolis se torne o herói da Terra por um dia, levando o excesso de comida de quem produz mais que consome para muitos países que precisam. E além disso, nesse quadrinho mais do que nunca o Super se aproxima à imagem de Jesus. Então, é, basicamente o que um ser superpoderoso faz no Natal é: ser aquele que vai salvar o mundo.

Vale dar o exemplo

Mas é impossível!

O mais interessante da revista é ver como o Homem do Amanhã vai desacreditando da sua própria missão. Bem, é uma história com uma estrutura de parábola (o que, inclusive, aproxima o protagonista ainda mais de um messias religioso). Não tem um desenvolvimento ou um conflito muito grande, mas usa símbolos para passar uma mensagem bastante objetiva. Nesse caso, a mensagem, ou melhor, as mensagens estão na falha do Super.

Antes de chegar lá, precisamos entender algo.

Moralmente falando, o Superman e o Ubermensch têm bases muito parecidas. O Além-Homem de Nietzsche cria uma moral baseado na convivência social e nas pessoas, sem a necessidade de um ser superior que dite regras absolutas e sem impôr essa moral pessoal em outros. E assim faz o Superman, com a diferença de que ele em si é o ser superior.

Ou seja, enquanto o herói é próximo à imagem do ser humano evoluído descrito por Nietzsche, que cria seu propósito independente de alguém superior, ele também é o alguém superior. Enquanto ele é Clark Kent, ele é Superman. E vice-e-versa.

Superman x Cristo Redentor

Um paradoxo voador, com pele impenetrável, super-velocidade e lasers.

Paz na Terra, inclusive, faz questão de mostrar os dois lados do personagem em vários momentos e trabalha em cima dessa dualidade. O Super não força seu altruísmo a ninguém que não queira, não age de forma a prejudicar os outros e age como acredita que deve com as próprias mãos. Ao mesmo tempo, ele é aquele que vem dos céus para salvar os humanos, o que contraria o Ubermensch, cujo conceito parte da premissa da não existência de tal ser.

E aí voltamos à falha do personagem.

Com o tempo, ele percebe que mesmo com invulnerabilidade, super-velocidade, super-força, voo, visão de calor, super-audição, visão telescópica e super-aceitação pela opinião pública não pode fazer o suficiente. Há muito mais problemas do que a fome, problemas que tornam “salvar o mundo” uma questão muito mais complicada. Há aqueles que vivem em guerra civil, aqueles dominados por ditadores, aqueles que odeiam quem os foi salvar, aqueles que cegos pela fome se tornaram uma multidão perigosa e sem identidade e até aqueles que por razões ideológicas preferem que outros morram de fome.

A missão fracassou

Mas o que o herói percebe, depois de falhar, não é que o mundo não pode ser salvo.

Como já dito, o Azulão consiste nesse paradoxo de ser a epítome do homem e a epítome messiânica. E quem falha não é o homem, mas sim o messias. O ato de altruísmo do herói, mesmo não tendo salvo a todos, aconteceu. Ele não pôde ser, sozinho, aquele que acabou com a fome na Terra, mas foi, sozinho, aquele que muitos ajudou.

O paradoxo deixa de ser paradoxo em Paz na Terra, já que a mensagem que fica é que não existe um ser superior para nos salvar de nós mesmos, porque mesmo se você for um super-homem não pode sê-lo. Mas existe,sim, a atitude de um homem vestido como um performista de circo que fez o que pôde.

E se a atitude desse super-homem não foi o suficiente, o que é?

O que a revista conclui é que o único jeito de salvarmos a nós mesmos, é sermos todos pacientes e fazermos tudo o que está ao nosso alcance para ajudar. Existem símbolos que nos lembram dos problemas do mundo, símbolos que nos inspiram, que nos mostram um caminho de compaixão e altruísmo… mas nós ainda precisamos fazer por nós mesmos. Sem esperar que alguém venha nos salvar. Nós temos que ser Ubermensch, nós temos que ser nossos próprios salvadores.

E com paciência.

Não adianta sermos bondosos só no natal. De que adianta entregarmos todas as sobras das ceias desse dia para quem tem fome, se não vamos voltar amanhã?

Espalhe as sementes

Feliz Natal a todos! ^^

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