JOTUN – Um Shadow of the Colossus nórdico… mais ou menos

Jotun é um jogo bonito.

Ser um jogo bonito foi o grande destaque do jogo, a característica que mais vendeu ele como algo interessante. Mas também, olha essas screenshots. Eles estão certos em dar destaque, é mesmo um jogo bonito. E é um jogo bonito num estilo mais interessante que só ter os melhores gráficos do universo, o jogo tem uma estética diferente e bem realizada. A animação 2d fluída e cheia de detalhes interessantes, a coloração meio de aquarela nos cenários, o desenho feito a mão (no mínimo, parece feito a mão, como esse resultado foi alcançado não é tão relevante)… Tudo funciona bem pra ser um jogo agradável de ver.

Agora que já falamos disso, tem o resto do jogo pra comentar.

Jotun é um jogo de ação/aventura inspirado na mitologia nórdica, onde você controla Thora, uma viking que, após uma morte sem honra, tem que derrotar 5 Jotuns para se provar para os deuses para entrar no Valhalla. A história não é exatamente tão importante; tem uns detalhes dessa morte que são contados pela narração que são interessantes, mas nunca se desenvolvem muito.

O jogo é estruturado de maneira bem fixa; após você passar por uma seção tutorial, você derrota um chefe e abre uma área onde você pode escolher qual caminho seguir, onde no final haverá um dos 5 Jotuns que você tem que derrotar. Cada um está fechado por uma porta, e você tem que explorar dois lugares próximos a essa porta para conseguir duas runas que vão abrir essa porta.

Apesar dessa inexistência de variedade no formato, o jogo funciona bem, porque cada uma das áreas de exploração consegue ter um estilo bem próprio, com uma paleta de cores única, inimigos, desafios e mecânicas usadas somente naquela área. São cenários interessantes e que nunca dão a sensação de serem repetitivos.

O mesmo pode se dizer dos chefes das fases, que são o segundo grande destaque do jogo: seres gigantes que serão derrotados pela pequena Thora, cada um com características específicas pra serem aprendidas.

Eles são inimigos bem pensados, na maior parte. Enquanto um ou outro momento de alguma luta me incomodou, a experiência geral foi bem positiva. O jogo consegue dar aquela sensação de superação quando você realmente entende como evitar aquele ataque e como usar a arena ou o chefe a seu favor, e não levar milhões de pontos de dano. De forma geral, são combates interessantes e variados.

Outra coisa que o jogo faz bem, não só nesse momento, mas principalmente nas lutas contra os Jotuns, é transmitir a sensação de escala; cada Jotun tem uma animação para se preparar para o combate, e todas dão o ar de imponência que o jogo pede. Algumas entradas são realmente impressionantes. O jogo também usa muito da sua câmera, tirando o zoom dela para deixar o jogador apreciar melhor a escala daquilo. Enfim, é um jogo bastante competente nas coisas que se propõe a fazer. Mas existem alguns detalhes que atrapalham um pouco o resultado final.

Para derrotar os Jotuns, Thora tem um golpe comum, um golpe que você “carrega” um tempinho e dá mais dano, e um rolamento pra se esquivar. É eficaz, mas fica cansativo em certos momentos, ou até meio monótono. Outro detalhe é que, por mais que a introdução pra batalha e alguns momentos dela sejam empolgantes, uma grande duração dela se resume a você ficar usando seu golpe mais fraco no tornozelo do Jotun. Não é algo que realmente dá a sensação de “estou causando dano” (tirando uma barra de vida diminuindo lentamente), não é algo tão interessante intrinsecamente, então não é algo que funciona tão bem pras sensações que o jogo quer causar.

Nas áreas de exploração, além das runas, você pode encontrar habilidades que vão ajudar no combate (e vão ser necessárias). São um elemento interessante pra motivar uma exploração completa, mas as vezes as próprias áreas desmotivam a exploração. Enquanto terem desafios para serem confrontados não é um problema, alguns são simplesmente chatos, não desafiadores ou interessantes, mas simplesmente algo que te impede de ter um momento mais “relaxado” no jogo. Algumas áreas tem desafios interessantes, de navegação ou puzzles simples, mas boa parte deixa a desejar.

No final, Jotun é um bom jogo. Uma experiência curta, direta ao ponto com o que quer mostrar e elevada por um excelente visual. Os problemas presentes não são graves, mas acabam não deixando o jogo ir além do que poderia.

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