Quarteto Fantástico, lá e de volta outra vez

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“-You’ve opened a door you don’t know how to close. You don’t know anything about what’s coming.

-What is coming?

-Doom!”

Em 2005 tivemos nos cinemas a estreia de um filme de super-heróis, mas não de qualquer um, mas de um famoso quarteto que protege o mundo nos quadrinhos. Não foi a primeira vez que tais personagens ganharam uma versão cinematográfica, já que tiveram uma versão nos cinemas, gloriosamente esquecida, em 1994. Agora, em 2015, a Fox tenta mais uma vez reinventar uma mitologia para esse grupo, nas mãos do diretor Josh Trank. Será que mais uma vez o quarteto não conseguiu um filme digno de ser seu?

Reed Richards é um estudante do ensino médio que cria, com a ajuda de Ben Grimm, um dispositivo que teletransporta matéra pelo espaço. Acolhido pelo Instituto Baxter, lá ele conhece os irmão Sue e Johnny Storm e herda a responsabilidade de criar uma máquina que se teletransporta para outra dimensão. O experimento dá errado e o quarteto ganha poderes especiais.

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Um dos poucos pontos positivos do filme é a escolha de atores para viverem os personagens. Sim, o melhor do filme não são nem os personagens, mas sim os atores. Miles Teller, Kate Mara, Michael B. Jordan e Jamie Bell conseguem ser bem carismáticos e cômicos em algumas partes do filme. Demonstrando uma certa energia que talvez atores mais velhos não possuam. Essa talvez seja uma boa razão para começar o Quarteto com personagens mais jovens. Pegando assim uma ótima fase da vida deles para aproveitar. Outro ponto positivo seria a fotografia do filme, que é bem bela e consegue se aproveitar de cores mais escuras para ajudar o diretor a montar a ambientação que ele procura para essa nova faceta do Quarteto.

Se os atores foram muito bem escolhidos, não dá para se dizer o mesmo dos personagens. Victor Von Doom, interpretado por Toby Kebbell, acaba sendo o melhor personagem do filme, mesmo sendo uma versão bem distorcida do que ele realmente é. Se torna interessante toda o seu declínio à loucura, ele acaba sendo engolido pela própria fome de poder. A direção de Josh Trank consegue colocar um toque de horror nessa construção. Além de seu visual “iluminação de balada”, o que enfraquece e acaba gerando desgosto do espectador é sua incoerência perante ao Doutor Destino que todos conhecem. Fugindo totalmente de sua origem e de seus poderes dos quadrinhos.

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O filme tem ideias muito boas, mas tenta utilizar muito em um curto período de tempo. O primeiro ato do filme, que seria a construção da máquina interdimensional e como todos os personagens se conhece, acaba sendo muito bom. Talvez a melhor parte do filme. Conseguem apresentar bem os personagens e como eles vão se conectando e demonstrando o carisma de ambos, mesmo não conseguindo convencer o espectador que há uma forte ligação entre eles. Após isso acontece a viagem onde todos conseguem seus poderes, mas há aí algo que deveria ter sido explorado mais a fundo. O longa apenas joga tudo na nossa cara, só que de uma vez e superficialmente, não dando chance de aprofundamento.

Quando a equipe ganha os poderes é que o filme realmente entra em declínio. Há um timeskip de um ano que nos faz perder como eles começaram a controlar seus poderes e a lidar com eles e ocorre um projeto em que alguns dos integrantes se tornam um tipo de arma do exército. São partes que, se ganhassem mais em tela, seriam bem interessantes, principalmente ver o Quarteto trabalhar sobre comando do exército.

DF-05008 Johnny Storm (Michael B. Jordan) prepares to help save Earth from a former friend turned enemy. Photo credit: Ben Rothstein.

DF-05008 Johnny Storm (Michael B. Jordan) prepares to help save Earth from a former friend turned enemy. Photo credit: Ben Rothstein.

O filme acaba sendo isso, um amontoado de boas ideias que precisavam de mais tempo em tela para serem aproveitadas. Você nunca tem um tempo para respirar, acaba sendo jogado de acontecimento em acontecimento. E em sua batalha final, e única batalha em que todos estão reunidos como uma equipe, falta coerência e algo que excita quem assiste o filme, fora que sofre bastante da falta de tempo e torna tudo muito rápido. Mas nesta mesma batalha temos ao menos algo que caracteriza fortemente o que seria o Quarteto Fantástico, os quatro, juntos, percebem que seria impossível vencerem sozinhos o inimigo diante deles, mas seria possível se trabalhassem juntos. É essa união e sinergia que faz do Quarteto Fantástico o Quarteto Fantástico, um laço que poderia ter sido explorado mais a fundo.

Assim que saí da sala de cinema, as únicas palavras que ecoaram pela minha cabeça foram: “Fox, você já pode devolver o Quarteto Fantástico para Marvel.”. O que acaba sendo uma pena, pois esse filme poderia ter sido uma reinvenção contemporânea da equipe. Uma junção coesa de todas as ideias apresentadas teria dado um ótimo longa. Talvez se o estúdio tivesse explorado mais o que Trank fez em “Chronicle”, um filme em “found footage” que explora jovens ganhando super poderes e aprendendo a os usar, teríamos algo para se chamar de um verdadeiro filme do Quarteto Fantástico. Não foi dessa vez que Reed Richards, Susan, Johnny e Ben ganharam um filme digno do que realmente o Quarteto Fantástico é.

Dá uma olha na cada desse Coisa.

Dá uma olha na cada desse Coisa.

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