Metal Gear Solid V, hype, esperanças, impacto, e legado

PhantomPain

Why are we still here? Just to suffer?

Da data da publicação deste texto, estamos a alguns poucos dias do lançamanto daquele que, ouso dizer, é talvez é o jogo mais aguardado do ano, Metal Gear Solid V – The Phantom Pain.

Acho que há muitos anos eu não via a comunidade tão UNIDA na expectativa por um lançamento de um jogo AAA, ainda mais numa época onde jogos dessa categoria muitas vezes são só decepção atrás de decepção. Há uma série de motivos que talvez possam justificar isso, e vou chegar neles logo logo, mas devo dizer que eu estou achando muito bonito a galera toda reunida em prol de esperar o jogo. Acho que como grande fã da série que eu sou, meio óbvio dizer que também estou nesse trem do hype, né?

Acho que toda essa união da comunidade em prol da expectativa se deve a, como falei anteriormente, uma gama de coisas, e a primeira delas seria o fato de MGSV trazer o fechamento de um ciclo na história da série. Finalmente teremos a conclusão da saga de Big Boss e saberemos como ele se tornou o grande vilão que viria a se tornar nos dois jogos do MSX. Como foi a queda do homem que um dia foi a lenda no campo de batalha, passou por diversas dificuldades até chegar onde chegou, até alcançar o fundo do poço? Será que o Big Boss vai conseguir se vingar da Cipher por todo o estrago? Essas e muitas outras perguntas serão respondidas no jogo, e estamos ansiosos pra cacete pra ver tudo isso se desenrolando, e até lá, como de costume, vamos discutindo a história e as evidências trazidas pelos trailers do jogo elaborando mil teorias malucas e rindo uns das caras dos outros quando alguém traz o “Quiet is Chico” pra roda. É o fim de uma era, a era de Big Boss….

Mas por outro lado, The Phantom Pain também representa o fim de uma era em outro sentido, mas no nosso mundo real mesmo. Como muitos lendo isso aqui talvez saibam, as coisas na Konami andam BEM FEIAS e, numa engraçada e infeliz coincidência, tomando o provável mesmo rumo que Big Boss tomará no novo jogo em relação ao seu legado até aquele momento.

BB

Caso não saiba, vou tentar resumir o que anda acontecendo: basicamente, a Konami anda cometendo umas decisões de caráter um tanto questionável de um tempo pra cá, e anda, aparentemente, bem mal das pernas, sendo sustentada, em seu setor de jogos, quase que exclusivamente por Metal Gear (nem tanto assim) e PES. Sério, consegue lembrar de algum grande jogo (que não tenha Metal Gear no nome) da Konami que tenha saído em pelo menos uns 2 ou 3 anos, se não mais? Daqueles que tu olha e fala “CARALHO, ISSO AQUI VAI SER LEMBRADO POR MUITO TEMPO AINDA”? É…

Andam saindo umas notícias aí de que o ambiente de trabalho na Konami se tornou inóspito e seus funcionários sendo tratados como se fossem prisioneiros, a Kojima Productions sendo desfeita, o tradicional “A Hideo Kojima Game” sendo tirado de todos os lugares possíveis, o cancelamento do altamente promissor revival de Silent Hill (mais uma série que, descansa em paz… ou em desgosto). É, amigos, tem merda pra caralho acontecendo na Konami e essas informações foram o que chegou até a nós pela mídia, imagina o que mais não tá rolando lá dentro e a gente não sabe? Pelo andar da carruagem, acho que dá pra calcular que MGSV muito provavelmente será o último grande jogo que eles farão (e, dessa fez, definitivamente o último jogo da série se isso já não estava óbvio antes e também, o último jogo que Kojima fará ao lado da Konami. Não se surpreendam se depois que os rumores de ele meter o pé de lá se confirmarem e um tempo depois ele abrir um estúdio próprio, tal qual o Yuji Naka e o Hironobu Sakaguchi, por exemplo, fizeram)

Kojimao

O lado bom dessa história (e outro motivo da expectativa da comunidade), é que aparentemente isso não é capaz de afetar o desenvolvimento do jogo e a qualidade do produto final, assim esperamos. Nós, fãs, sabemos como Hideo Kojima é um profissional extremamente responsável e dedicado ao seu trabalho. Mesmo que ele esteja de saco cheio de Metal Gear já faz uns anos, ele nunca fez as coisas de birra na série e em cada jogo da série podemos sentir aquele “Kojima Touch” enquanto jogamos. Metal Gear é uma série extremamente autoral e assinatura de seu criador é sempre muito presente nela e notável, algo bem raro de acontecer em jogos de grande porte como este.

(E bom, aparentemente, Kojima tentou nos avisar de tudo que tava rolando na Konami através de uma missão secreta no Ground Zeroes…)

E mais que um criador, Kojima é uma figura bem carismática e a gente gosta desse puto, e podemos dizer que ele é provavelmente a personalidade mais conhecida dentro da Konami há um bom tempo. Quando se fala em Konami e formos lembrar de pessoas que trabalham lá, provavelmente o primeiro nome que virá em nossa cabeça é “Hideo Kojima”. O cara fez o nome dele ali, criou uma das séries mais importantes da história dos videogames e todo um legado nasceu dela, e aí, chego em outro ponto que aumenta nossa expectativa…

O famoso LEGADO. Como falei lá em cima, MGSV vai trazer o fechamento de um ciclo, que é apenas parte de uma coisa muito maior. Desde 1987, a série fez uma escalada absurda cravando seu nome na história dessa mídia jovem que são os videogames e trouxe inúmeras influências para a mídia. Mano, Metal Gear foi praticamente o que introduziu espionagem nos videogames da maneira como conhecemos hoje em dia, e a gente finalmente ver a história ter as suas lacunas restantes serem preenchidas (não vou dizer “ver o fim da história” porque, em tese, MGS4 já é isso na cronologia e ele saiu em 2008) é um grande marco pra história desta mídia.

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E todo esse peso histórico, o peso de todo esse contexto por trás da grande novela que está sendo sua produção, MGSV será um jogo do qual nos lembraremos por um bom tempo. Não só pelo que ele representa pra Konami atualmente, pra Metal Gear, mas para essa mídia que tanto amamos que são os videogames num geral.

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Eu tenho a ligeira impressão de que por todos esses motivos, MGSV virá com um gosto peculiar de “sangue e lágrimas” (mano, só olhar o último trailer do jogo que saiu na E3 desse ano, além da história por trás da música usada nele, Elegia. Novamente a triste e bizarra coincidência, se é que é uma coincidência, dos temas do jogo com a situação “Konami X Kojima” que temos atualmente). Talvez sentiremos um pouco de estranhamento, ao mesmo tempo que familiaridade, ou alívio por vermos novamente um jogo dessa série que tanto amamos, mas não dá pra saber se ai ser, de fato, isso enquanto o jogo não sair. Em setembro a gente descobre.

Que venha Metal Gear Solid V e que aproveitemos cada segundo do mesmo enquanto o jogamos e vemos a ponte que liga as histórias de Big Boss e Solid Snake terminar de ser construída.

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5 comentários sobre “Metal Gear Solid V, hype, esperanças, impacto, e legado

  1. É curioso como o próprio antecessor, Guns of Patriots, também tinha essa espécie de rima temática com o contexto real do Hideo Kojima na época. Originalmente, o jogo era para ser escrito exclusivamente pelo Shuyo Murata, mas a pressão dos fãs (que inclusive culminou em ameaças de morte) acabaram por trazer o Kojima, mais uma vez, ao comando da série. Logo, aquela figura do Old Snake como um personagem exausto e combalido, e forçado a cumprir uma indesejável última missão para colocar um ponto final em tudo e encerrar um ciclo, supostamente seria uma metáfora da própria condição de seu criador.

    Enfim, é realmente triste ver o que talvez seja uma das últimos franquias em que realmente todos os jogos principais são consistentemente bons, e que chega ao ponto de unir uma fanbase (quase) unanimemente esperançosa e que bola mil especulações sobre X e Y, ter sua qualidade geral posta em xeque pelos seus próprios gerenciadores, devido ao fato que provavelmente irão prolongar a série desnecessariamente devido ao fato de ser o último cashcow da empresa. Porém, o Kojima é um cara conceituado e competente, talvez desvinculado dessa mentalidade tóxica atual da Konami ele possa criar um material bom aí ao lado de outras empresas no futuro e fazer muitos experimentos com os aspectos do Videogame como mídia.

    • Eu sou um dos poucos que olha pra MGS4 com mais otimismo e prefere vê-lo como a conclusão com toda a pompa que a saga merecia e uma love letter para a mesma, mas realmente não consigo discordar de quando dizem que tem esse lado do Kojima meio cansado sendo “forçado”, apesar de eu ainda achar ele um jogo ótimo (estranhamente, é o meu favorito da série junto com MGS2).

      Pois é, se o hype pelo jogo por si só já é bem grande, todo esse contexto que pesa em cima dele só faz o impacto ser ainda maior. Nem jogamos ainda, mas já dá pra sentir o “gostinho de sangue” nele com um pouco de nó na garganta. Com a Konami agora inventando de fazer um monte de Pachinko de tudo e aparentemente querendo focar só em mobile e coisa do tipo, acho difícil eles quererem fazer mais jogos de Metal Gear (pelo menos como se fossem grandes jogos da série), mas em todo caso, mesmo se eles vierem, após a inevitável saída do Kojima da Konami, eu meio que vou ignorar, pelo meu amor à série mesmo.

      Eu realmente não duvido que depois que o Kojima meter o pé da Konami, ele apareça fazendo um Kickstarter aí ou abrindo estúdio próprio como outros desenvolvedores consagrados do Japão, como mencionei no texto, só que, felizmente, duvido que será um “revival de Metal Gear” que nem foi o caso do Igarashi com Bloodstained, o pessoal do Yooka-laylee e por aí vai, até porque o Kojima já tá de saco cheio de Metal Gear. Acho que jogando os outros jogos dele a gente vê que ele também tem muito potencial pra novas ideias e eu realmente adoraria ver ele fazendo um novo adventure nos moldes de um Snatcher ou Policenauts, que são dois jogos dele que eu adoro (ou algo na pegada de jogo de ação que Zone of the Enders tem seria bem-vindo, não necessariamente um ZoE3).

  2. Pingback: Metal Gear Solid V: The Phantom Pain – a arte do jogo agridoce | Missão Ficção

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