Odallus: The Dark Call (análise)

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“Castlevania Brasileiro”? Acho que é bem mais do que isso…

Hoje muito se fala em… *tambores batendo e confete pra ser jogado em cima da palavra pra ficar igual àqueles gifs com palavras bonitas que as pessoas mandavam no Orkut*… LEVEL DESIGN!!

O bendito do Level design sempre esteve presente nos jogos, e muito importante também, mas era algo que só desenvolvedores e alguns críticos tinham o hábito de ficar prestando a atenção. Por acaso se você jogava videogame quando criança e queria conversar com seus amigos sobre um jogo que você jogou você soltava um “Putz, o level design desse jogo é bem feitão”? Coloco a minha mão no fogo pra dizer que não fazia isso, acho que até a galera mais velha dificilmente ficava comentando isso. É um hábito que foi começar a se popularizar só com as discussões na internet mesmo e que caiu no gosto popular de ficar mencionando e reparando nisso quando o Egoraptor fez aquele famoso vídeo sobre o game design de Mega Man X, que foi quando a coisa parece ter “viralizado” de vez. (caso não saiba do que estou falando, é esse vídeo aqui)

Não tô dizendo que o Egoraptor é algum tipo de cara foda pra caralho por ter trazido esse assunto à tona ou coisa do tipo. Ele foi mais um exemplo que mostra o reflexo de uma evolução natural da mídia e da percepção de seu público conforme o tempo foi passando. Nós passamos a exigir jogos melhor elaborados nesses aspectos apontados, e eles foram surgindo. O jogo do qual vim falar hoje, Odallus: The Dark Call, é um deles, e enquanto eu o jogava, me lembrei de tudo isso que falei nestes dois parágrafos e dei aquela risadinha enquanto contemplava o quão organizadinho ele era e pensei dando aquele sussurinho baixinho, mas de maneira estilosa enquanto fazia algum gesto maluco com as mãos: “… level desgin! hahaha”.

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Numa época onde muito se repara nesses detalhes dos jogos, acho que não haveria época melhor pra um jogo como Odallus sair e ser o que ele é. Mas o que é Odallus afinal?

O estúdio brasileiro Joymasher, responsáveis pelo ótimo Oniken, mais uma vez nos traz um jogo com visual em pixelart e “espírito retrô”, porém trazendo convenções de jogos recentes. Mais ou menos como o (excelente) Shovel Knight fez ano passado, só que numa pegada diferente deste. Temos aqui aquele tipo de jogo de ação e aventura, onde você tem uma ênfase muito grande em exploração e pode obter itens que te permitem acessar áreas que não podia acessar antes e uma penca de caminhos e segredos em todas as áreas/fases do jogo, ou como gostamos de chamar, “Metroidvania”.

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Odallus trata-se de um jogo que pega elementos desse “estilo metroidvania” com uma temática Dark Fantasy claramente influenciada por coisas como Berserk e Castlevania (entre outros jogos, mas essas foram as duas coisas que mais me lembrei enquanto jogava), que conta a saga de Haggis, um guerreiro bárbaro que vaga por um mundo sombrio e opressor infestado de monstros, para salvar o seu filho. Talvez enquanto jogue você não preste muita atenção na história, mas ela está lá, e mesmo que pareça “simples” e direta (lembrando que simplicidade não conta como algo negativo pra nada), ela é bem interessante, apesar de não ser o principal atrativo do jogo. Sugiro que dê uma olhada nela enquanto jogue, o pessoal caprichou nela.

Como normalmente se espera de um jogo do gênero, temos bastante ênfase em exploração, que muitas vezes se entrelaça ao combate, e durante a aventura, o jogador pode coletar diversos itens e power-ups escondidos por diversos locais do cenário para poder ficar mais forte e encarar os obstáculos que o esperam do início até o fim. Talvez dizer que ele seja um “Metroidvania” seja um desserviço ao mesmo, pois as fases podem ser jogadas de maneira bem direta, mas aqui ele trabalha com elementos desse gênero pra trazer um jogo de ritmo mais rápido, e justamente por isso, incentiva o jogador a retornar às fases e encontrar todos os segredos e passagens secretas, pois o mesmo vai precisar de algumas delas pra poder chegar até o final. Tudo nesse caldeirão que é Odallus é bem temperadinho e cheio de sabor próprio, o que nos brinda com um gameplay extremamente sólido e bem pensado, além do *BANG!* Level Design, que é muito bem trabalhado e deixa tudo bem mais fluído pro jogador estar gostando daquela experiência como eu gostei e ir descobrindo tudo que existe naquele mundo bizarro e aprendendo a lidar com aquilo de maneira tão natural que a gente acaba não percebendo.

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E falando nas áreas, temos 9 delas aqui e as 9 (talvez com exceção da última) são todas cheias de caminhos secretos e detalhezinhos que nos fazem parar pra observar tudo e pensar em como prosseguir, e quase todas com bifurcações pra outras fases exploráveis. Mais ou menos como era feito em alguns jogos da série Castlevania (sobretudo o III de NES e Rondo of Blood), só que as fases são todas segmentadas e selecionáveis a partir de um menu, que meio que funciona como uma espécie de HUB World onde você pode ver que itens possui no seu inventário ou ver o quanto de uma fase você já explorou, quantos segredos já achou nela, se já matou o chefe, e por aí vai. Tudo para o jogador não ficar perdido no que deve fazer, mas sem entregar demais de bandeja, a dificuldade é bem justa (e não é muito elevada).

Tudo isso somado culmina num jogo caprichado, que demonstra ter sido feito com esmero e carinho. Odallus não tem vergonha de mostrar suas influências, é um jogo bem sincero quanto a isso. É como um aluno que faz a lição de casa direitinho, e sempre mostra que sabe das coisas que o ensinam, aquele tipo de aluno que deixaria qualquer professor orgulhoso. Ainda bem que ele surgiu agora, quando temos a percepção desses pequenos detalhezinhos como o famigerado “LEVEL DESIIIIGN”, porque assim podemos degustar melhor de um jogo bem produzido como esse.

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Análise feita a partir de cópia fornecida pela Joymasher

about

Nintakun é um cara que curte uns jogos bem rápidos aí de ação e consegue dizer que Odallus é mais do que um “Castlevania Brasileiro” e diz que é sempre muito bom ter um jogo como esse mostrando o que os profissionais do nosso país são capazes de fazer.

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