Muito obrigado por tudo, Satoru Iwata.

Iwata

Yes, we understand

Hoje, domingo, 12 de Julho de 2015, é um dia bem triste para a comunidade e a história dos videogames. Como já está sendo noticiado internet afora, infelizmente, Satoru Iwata, o atual presidente da Nintendo of Japan, veio a falecer neste final de semana em decorrência de aparentemente um câncer.

Por mais que a Nintendo não esteja passando atualmente por lá uma de suas melhores fases em termos de marketing, lucros e essas coisas todas, sempre na hora de um Nintendo Direct ou naquelas conferências ou Digital Events da Nintendo, ele tava lá, com aquele inglês desajeitado falando “Please Understand” e uma notável alegria de estar ali fazendo algo que gostava. Mais do que um executivo engravatado comandando uma das maiores empresas do mundo, ele era uma figura deveras carismática, e a presença dele ali sempre nos dava aquela cutucada pra nos lembrar de “ei, videogames é um negócio bobo mas é uma bobeira danada que a gente gosta, né?”. E provavelmente continuaremos nos lembrando dessas gracinhas que ele fazia por um bom tempo… acho que talvez podemos dizer que ele ficaria bem satisfeito se visse nós todos lembrando dele por causa desse carisma contagiante.

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Iwata começou “pequeno” na Nintendo, como programador, mas como um programador extremamente habilidoso que chegou a fazer milagres em alguns jogos onde tocou.

Mudando um pouco o foco desse depoimento, me permitam contar uma pequena historinha de um dado momento da minha vida: Eu era um moleque de mais ou menos uns 8 anos de idade, que já se aventurava no mundo dos joguinhos há uns bons tempos. Frequentava locadoras pra jogar ou jogava em minha casa mesmo, como boa parte da molecada da época lá pelos idos do meio pro fim dos anos 90 e início dos anos 2000. Lembro-me de que numa tentativa de fazer eu sair menos de casa pra ficar indo em locadora, um tio meu entrou em ação e me ensinou a operar um emulador de Super Nintendo, precisamente, uma versão antiga do Zsnes, e pra que eu não ficasse entediado, pelo fato de eu não ter acesso fácil à internet na época, ele providenciou pra mim um CD com algumas centenas de jogos do console em ROMS e eu ficava explorando a maioria deles, até que um belo dia aconteceu…

Me deparei com um jogo meio esquisito onde tinha um moleque acordando no meio da noite de pijama saindo na rua pra ver um meteoro que tinha caído perto da casa dele e encontrou uma abelha que veio do futuro pra falar da notícia de que um tal de Gyigas tava aterrorizando uma galera aí e que eu teria de detê-lo. Esse jogo meio esquisito, diferente da maioria das coisas que eu tinha visto até aquele momento, era Earthbound, jogo esse pelo qual, se vocês já me conhecem há um bom tempo, provavelmente já devem estar carecas de saber, nutro uma admiração muito grande e que, sem exageros, consigo dizer que ele faz parte de quem eu sou hoje e que o mesmo carrega um significado muito forte pra mim até os dias atuais. Não apenas por nostalgia, até porque de vez em sempre eu revisito esse jogo e ele parece cada vez mais mágico pra mim, mas também por ser um jogo excelente em seus próprios méritos.

Tudo bem que a maior parte do crédito criativo se deve ao Shigesato Itoi, que é um outro cara que eu admiro muito, mas não podemos esquecer que junto dele, estava lá sabem quem? Sim, ele mesmo, o nosso querido Satoru Iwata, como programador do mesmo. Toda a programação de Earthbound estava uma completa duma bagunça numa época remota antes do lançamento (tanto que o jogo levou uns 4 anos pra ser terminado). Itoi não era um cara que entendia muito desses aspectos mais técnicos de game design, apesar das ideias incríveis, e o projeto poderia estar ameaçado.  Iwata então refaz toda a codificação do jogo DO ZERO sem nem se importar com o trabalho do cacete que aquilo ia dar. Certa vez Iwata costumava dizer que se um programador diz que “não pode fazer nada”, ele está mentindo.

Iwata também foi o cara que comprimiu o mapa de Kanto no pequeno cartuchinho dos Pokémon Gold e Silver. Mano, como que um mapa gigante daquele de Johto e Kanto iriam caber num mesmo cartuchinho do jogo? Mano, os Pokémon de Game Boy Color provavelmente devem ser alguns dos jogos que mais tenho centenas de horas acumuladas durante a minha vida inteira e joguei isso tudo na minha infância e nada daquele mundão gigante que eu passava horas e horas de frente pro jogo explorando estaria lá se esse cara não tivesse posto a mão na massa pra trabalhar naquilo. Caralho, Iwata, tu é foda.

Mais que um business man, Iwata era um programador sensacional, e um executivo extremamente humano, como pouco se vê por aí. Pode talvez não ter sido o presidente mais bem sucedido da história da Nintendo, mas acho que consigo ousar dizer que é o mais lembrado e talvez o mais carismático, que mais interagia conosco, mesmo que o mais próximo que a maioria de nós tenha chegado dele seja ver uma tela com ele segurando uma banana fazendo um olhar engraçado. Não só para a Nintendo, mas para a história dos videogames em geral, ele foi um pilar importantíssimo.

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Talvez essa pequena homenagem que me prestei a fazer para um sujeito cujo trabalho eu muito admirava não seja o bastante, mas muito obrigado por tudo,  Satoru Iwata, e descanse em paz. Nunca esqueceremos de seus “Please, Understand” pois acho que sempre entendemos o que você queria fazer. 

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2 comentários sobre “Muito obrigado por tudo, Satoru Iwata.

  1. Parabéns pelo artigo. Dificilmente vamos encontrar pessoas tão extraordinárias como o Sr. Iwata.

    Uma pena que a Nintendo esteja passando por tempos ruins.

    Vamos torcer para que seja apenas temporário.

    Sobre o blog, estou curtindo bastante alguns posts e espero que ele tenha bastante reconhecimento e sucesso.

    Abraços a equipe.

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