Desbravando Wasteland em Mad Max: Fury Road

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O final dos anos 70 e o início dos 80 presenciaram o lançamento de uma trilogia de filmes que seriam consagrados clássicos para futuras gerações, ainda mais no âmbito pós-apocalíptico. E agora em 2015, este título retorna com o mesmo diretor e roteirista. E acabou se tornando um legado de um diretor para o cinema e para as futuras gerações. A volta de Max para o cinema deixa qualquer blockbuster para trás. Ele renova o significado do que seriam filmes de ação e deixa todo o resto parecendo algo fraco e que precisa de um desenvolvimento para ao menos ser digno de comparação. Mad Max: Fury Road veio para ficar. E sim, esse é o poder do hype.

Assombrado por seu turbulento passado, Mad Max acredita que a melhor maneira de sobreviver é vagar sozinho. No entanto, ele é levado por um grupo em fuga através de Wasteland em um War Rig (carro de guerra) dirigido por uma Imperatriz de elite chamada Furiosa. Eles estão fugindo de uma cidadela tiranizada por Immortan Joe, que teve algo insubstituível roubado. Enfurecido, o senhor da guerra convoca todas as suas gangues e persegue os rebeldes impiedosamente na estrada de guerra que se segue.

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Os personagens que compõem o filme têm uma construção e uma interação maravilhosa. Max, assim como nos filmes antigos, é projetado com um homem de passagem que nunca se estabelece em algum lugar e que acaba caindo em uma viagem insana pela estrada. Sim, mesma fórmula. Se na trilogia original Mel Gibson conseguiu se consolidar como o Guerreiro da Estrada, aqui Tom Hardy mostra que ele está para superar novamente a estrada da fúria e se tornar digno do papel.

Mas não só do protagonista vive o filme. O panteão que compõe os “mocinhos” possuem personagens femininas muito fortes e independentes. O que dá um grande charme para o filme. Elas acabam dando muito prejuízo para os antagonistas. Elas são a Furiosa e as “parideiras” de Immortan Joe que se rebelam pelo abuso do mesmo. E essa acaba sendo uma grande surpresa, por esse acontecimento ser algo bem raro em filmes do gênero. Ainda mais em Mad Max.

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Já no lado dos antagonistas de Max nessa longa estrada da fúria temos Immortan Joe e seus aliados. O primeiro tendo um bom desenvolvimento e tempo em tela, já os outros nem tanto. O melhor que ocorre desse lado dos vilões é uma interação de poder e a troca de materiais que cada um possui. Isso realmente deixa a ambientação do mundo um pouco mais coerente e explicada. E o filme se desenvolve através dessa relação entre personagens. O filme inteiro é uma grande caçada de Immortan Joe a Max e Furiosa.

Um dos pontos mais fortes do filme é ele se propor a estar na maioria das cenas em movimento e conseguir não tornar isso cansativo. São poucas as cenas em que tudo está parado e calmo. E junto dessa movimentação constante, existe ação acontecendo desenfreadamente. Uma coreografia que se adapta aos momentos propostos pelo diretor e seus cortes de câmera. E a parte de ação não se baseia só nessa coreografia, mas também em cenas de perseguição em carros e nas batalhas entre os mesmos. Carros, motos, tanques de guerra e vários outros tipos de veículos indescrítiveis compõem essa liga de veículos totalmente insanos. O filme consegue utilizar aspectos da trilogia antiga de forma fluída e que se venda bem para o público, e acaba superando seus predecessores. Isso serve até como uma homenagem aos filmes antigos e os fãs da mesma.

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Se nos três filmes anteriores George Miller conseguiu passar muito bem um clima de mundo pós-apocalíptico, aqui ele vai além: Um mundo em crise com falta de recursos e humanos vivendo no mais puro estado de natureza hobbesiano pode a qualquer momento chegar ao fim, mas em Estrada da Fúria, ele demonstra algo vital para manter todos vivos.: As alianças. Em um local arenoso onde geralmente há um conflito entre pessoas e os principais meios de locomoção são veículos à base de gasolina, quais são os recursos principais para essa sociedade viver? Se você disse gasolina, água e munição, acertou. E algo bem interessante que o diretor mostra é que quem comanda isso tem um controle geral sobre uma parte do povo. E para evitar intrigas, as três pessoas daquele mundo que tem monopólio desses recursos montam uma aliança em que ambos trocam esses meios essenciais para a manutenção da vida naquele lugar. E claro, há os rebeldes ou aqueles que preferem viver em pequenos bandos e que precisam de firmar tratos por fora ou praticar de qualquer meio para conseguir aquilo, como indica o estado de natureza hobbesiano que eu disse lá em cima.

Algo bem arquitetado no filme é sua trilha sonora. Ela se torna parte essencial do que é Mad Max e consegue até mudar o rumo de certos acontecimentos. E o que é legal no filme é que a caravana de Immortan Joe tem a sua própria trilha sonora, de certa forma. Por ter um carro onde possui um guitarrista e vários percurssionistas, o clima e a música sempre mudam quando eles se aproximam. Isso serve até como uma pista audiovisual para o espectador prever o que está acontecendo em tela.

Mad Max: Fury Road é uma ótima apresentação para novos fãs de Mad Max e um grande presente para os fãs da trilogia antiga. Contém diversas cenas de ação, um ritmo muito bom e que não cansa momento algum. Talvez até esses momentos de ação tenham estabelecido um novo nível do mesmo. Agora os filmes que estão por vir têm que, no mínimo, chegar perto do que Mad Max foi. Há ótimos personagens e uma dinâmica muito boa, fora quebrar certos paradigmas de filmes do gênero. O que o torna uma experiência ainda melhor. E não achem que todas aquelas cenas frenéticas que aparecem no trailer revelam tudo sobre o filme. Na verdade, aquilo se passa nos vinte primeiros minutos e nada mais. Até este momento ele se apresenta como um dos melhores filmes do ano. E uma grande surpresa, por ser um retorno de um clássico e o retorno de um grande diretor para sua criação. Colocando meu dedo aqui no meio, consigo dizer que até seja melhor que o Road Warrior. Talvez até concorra à algum Oscar. Chuto por maquiagem e penteado, figurino e efeitos especiais. Ao fim de tudo, só posso dizer algo: QUE FILME!

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Um comentário sobre “Desbravando Wasteland em Mad Max: Fury Road

  1. Que filme! Que experiencia! Tirou minha respiração e arrancou minha concentração e de todos que estava no cinema também, pena que poucas pessoas apareceram na estreia ;(, sua critica está perfeita mas faltou uma coisa! Você deveria falar para todas as pessoas irem no cinema assistir esse filme pois eu preciso de uma continuação e acredito que o mundo também e ,para isso, ele precisa de lucro e ainda mais que o filme custou só 200 milhões XD
    Bela crítica.

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