Dos jardins da casa de Shigeru Miyamoto – Pikmin 2 (Wii)

Shigeru-Miyamoto

Já faz parte da lenda de Shigeru Miyamoto, basicamente o “coração” da Nintendo, o fato de como a exploração de cavernas e outros lugares em sua infância o influenciaram a criar o conceito de The Legend of Zelda. Ele queria que as pessoas que jogassem se sentissem da mesma forma que ele sentia em suas expedições, em uma aventura. Quando eu era criança, os quintais da minha vizinhança foram pra mim o que as cavernas foram pra Miyamoto. A grande diferença é que com o tempo o tio Miya passou a se aventurar em lugares mais distantes e profundos, enquanto meus pais meio que não deixavam nem que eu saísse da rua de casa. Então encontrei naqueles mesmos quintais outros universos. Como eu perceberia aqueles lugares se eu fosse muito pequeno, do tamanho de uma formiga?

Aperte play e curta a vibe 🙂

Se se aventurar é um dos conceitos que baseiam The Legend of Zelda, se aventurar através de um mundo percebido por outro ponto de vista é um dos conceitos chave de Pikmin.

“O que são essas formigas coloridas aí?” PAI, meu.

“O que são essas formigas coloridas aí?”

Pikmin 2 foi lançado em 2004 para aquele console que infelizmente poucas pessoas jogaram, o Game Cube. Provavelmente por ter noção dessa quantidade reduzida daqueles que tiveram acesso ao seu cubo que a Nintendo resolveu relançar os jogos dessa ótima e quase desconhecida franquia pra um de seus consoles de maior sucesso, o Nintendo Wii, isso lá em 2009. O jogo nasceu da vontade da Nintendo de mostrar a capacidade do Game Cube em trabalhar com diversas inteligências artificiais ao mesmo tempo e da observação da vida presente nos jardins da casa de Miyamoto. Curiosamente o jogo saiu no Japão, na Europa e na Austrália em 2009, mas só recebeu sua versão norte-americana em 2012, quando o povo por lá já nem tinha mais esperança.

Sendo uma sequência direta do primeiro, Pikmin 2 começa com uma retrospectiva do jogo anterior, nos mostrando o Capitão Olimar caindo acidentalmente num planeta desconhecido, lá descobrindo alguns seres nativos que chamou de Pikmin e que com a ajuda desses simpáticos e submissos seres ele conseguiu consertar sua nave e voltar pra Hocotate, seu planeta natal – o que faz com que não seja necessário que você tenha jogado o primeiro para entender. Só que a vida não é um mar de rosas e logo ao chegar a sua terra, Olimar recebe a notícia de que a companhia em que trabalha arrumou uma dívida absurda e por isso provavelmente vai ser fechada, a não ser que ele volte para o planeta onde estava e consiga arrumar “tesouros”, dessa vez com a ajuda de seu estagiário Louie. Esses “tesouros” são coisas, como latinhas de refrigerante amassadas, tampinhas de garrafa, pilhas e…

Eu sei que o GAMESFODA já fez esse piada, mas ela é muito boa. Aliás, os créditos dela vão pra eles. Amo vcs :*

Eu sei que o GAMESFODA já fez esse piada, mas ela é muito boa. Aliás, os créditos dela vão pra eles. Amo vcs :*

Então cabe a você, na pele do Capitão Olimar (e por vezes do estagiário bobão, Louie), um cara que ACABOU DE SAIR DE UMA SITUAÇÃO EXTREMAMENTE PERIGOSA voltar para o planeta dos pikmin e com a ajuda deles conseguir juntar o dinheiro para pagar a dívida da empresa. Com certeza Olimar não deve ter recebido nem um extra por todo esse trabalho.

Pick me!

“O que são essas formigas coloridas aí?” PAI, meu.

Simbora moçada.

Como a imagem mostra, a jogabilidade de pikmin consiste em você comandar 5 tipos diferentes de pikmin, cada um com a sua particularidade própria (falo mais sobre adiante), num grupo de até 100, enquanto explora mapas, encontra tesouros e faz suas unidades lutarem contra monstros, tudo isso antes que a noite escura e cheia de perigos chegue. Você já ouviu falar de RTS (real-time strategy)? Então, a série Pikmin é classificada assim. Miyamoto diz que Pikmin é: “um jogo de ação em que os jogadores fazem um número determinado de pikmins fazer algo, enquanto os pikmins se movem com inteligência artificial, então eu chamo isso de ‘AI action’”. Enfim, gêneros a parte, se torna pelo menos interessante pensar em como conseguir controlar até 100 criaturinhas ao mesmo tempo por todo um mapa. Isso até você jogar e perceber o quão simples é realizar essa tarefa, ainda mais no Wii.

Uma das características da Nintendo é fazer com que o gameplay de alguns de seus jogos seja algo particular e fácil de entender, é esse o caso de Pikmin 2, claro. Na versão do Wii se torna muito mais fácil caminhar utilizando o analógico do Nunchuk enquanto aponta com o Wii Remote para onde quer jogar um pikmin, por exemplo. Isso provavelmente vai te pegar no começo, mas depois de uns 5-10 minutos você já vai estar acostumado e vai andar por aí livremente com seus escravos alienígenas. Lembrando que você controla o Capitão Olimar e seu subordinado Louie, e você pode alternar entre os dois e fazer com que cada um tenha seu time de pikmins para realizar determinada tarefa. O jogo pode parecer complexo sendo descrito assim, mas a fluidez do jogo e como ele consegue te manter preso por um bom tempo mostram o quão simples ele é, tanto no conceito quanto no gameplay.

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Olimar e Louie são baseados naqueles irmãos italianos lá. Cê sabe.

A maior diferença de Pikmin 2 para seu antecessor é que agora existem cavernas para serem exploradas, no maior estilo dungeon crawling mesmo. É nessas cavernas que somos apresentados a dois novos tipos de pikmin, além dos vermelhos, amarelos e azuis: os pikmins roxos e os pikmins brancos.   

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Tem umas outras diferenças também. Uns tem orelha, outros tem cabelo. Uma loucura.

Enquanto o primeiro jogo tinha em torno de 9 horas, Pikmin 2 consiste em quase 30 horas de jogo, e isso só é possível graças a inclusão das cavernas. E pelo fato de não haver uma linearidade na progressão dos mapas, algumas pessoas podem dizer que as cavernas estão no jogo só pra deixar ele maior. Ué, é isso mesmo, mas isso não é necessariamente ruim, né? Não, mas tem sua parte ruim também, já que as cavernas, em sua maioria, possuem uma ambientação genérica. Enquanto em alguns jogos como os da série The Legend Of Zelda você consegue identificar que dungeon é aquela apenas observando uma imagem, por vezes isso se torna difícil em Pikmin 2. Mas isso é só um ponto negativo em meio a tantos outros elementos memoráveis da série, como os nomes de itens, personagens, monstros e, é claro, música. Vai dizer que vocês não curtiram a música desse post?

Aliás, meu amigo, é nas cavernas que o negócio fica hardcore. Enquanto na superfície é tudo bonitinho, flor, árvore, borboleta, musiquinha feliz e tal, a escuridão das cavernas é acompanhada por umas músicas meio bizarras e por criaturas que vão MATAR TODOS OS SEUS PIKMIN COM UMA FACILIDADE ABSURDA. O Sr. Miyamoto também comentou sobre essa característica do jogo e disse que: “o jogo não foi produzido tendo como base essa temática, mas a ‘dura realidade da natureza’ está presente no jogo, já que ele foi produzido para seguir a ordem natural da vida”. Tudo bem, né. Mas acredito que algumas crianças ficaram traumatizadas quando viram isso:  

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Agora você acende uma vela e reseta seu jogo.

Video game é arte? Talvez sim, talvez não, mas Pikmin é poesia

Eu não joguei muitos RTS na minha vida, já que esse não é um dos meus gêneros favoritos, o que provavelmente ajudou em tornar a experiência de jogar Pikmin algo único. Como já citei antes, a música, a ambientação, os personagens, as piadas, as limitações, tudo isso torna a experiência de jogar Pikmin algo realmente prazeroso e único, que me fazia ficar sorrindo que nem um bobo na frente da TV. Acho que esse é o meu elemento favorito nos jogos da Nintendo, e principalmente, do Miyamoto. Essa capacidade de algo tão simples fazer com que você sinta um grande misto de emoções, como melancolia e excitação, e fazendo com que algo tenha um “gosto” singular e inesquecível, que mesmo que você volte a jogar depois (e provavelmente você vai voltar) não vai mais ser a mesma coisa. Se tornou algo diferente, talvez mais familiar, mais normal. Mas ainda assim ocupa um lugar especial, seja num local mais poético, como em suas boas memórias, ou num lugar real, como sua estante de jogos. Eu demorei muito tempo pra jogar Pikmin, só fui jogar em 2014, mesmo sendo incrivelmente fácil encontra-lo em quase qualquer loja de jogos. Na maioria dos lugares é bem barato, então é algo que realmente recomendo pra você que tem um Wii ou um Wii U. Principalmente se for um adepto da Nintendo. É uma experiência que difere de todos os outros jogos da casa.

Fica aí então uma tirinha que eu fiz pra vocês que já jogaram Pikmin, quem não entender vai logo jogar e para de graça.

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Lucas desde criança achava que os jogos da Nintendo eram coisas maravilhosas. Então é bom que vocês relevem um pouco a imparcialidade.

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4 comentários sobre “Dos jardins da casa de Shigeru Miyamoto – Pikmin 2 (Wii)

  1. Gostei das suas impressões e da análise de Pikmin 2, realmente todo o universo de Pikmin é poesia, sempre quando jogo sinto uma tranquilidade mesmo nas partes mais difíceis!

    • Valeu, cara. Eu acho incrível isso, principalmente no Pikmin 2 onde você não tem uma limitação de tempo. Jogar realmente te faz descansar um pouco, só tirando umas dungeons onde a morte tá em todos os lugares.

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