Whiplash – Em Busca da Perfeição

Whiplash Poster 2

Whiplash – Em Busca da Perfeição é um dos indicados para melhor filme no Oscar de 2015 e tem ao lado de seu nome o belo asterisco de ser o pior filme em bilheteria concorrendo entre os indicados.  Injusto, já que é um belo de um filme e não perde nada – se não supera – alguns dos outros indicados a melhor filme. Ele mostra um jovem e promissor baterista de jazz na melhor faculdade de música dos Estados Unidos, lugar onde sua busca por grandeza acaba tendo uma relação conflituosa com um professor exigente, disciplinar e abusivo. O jovem, Andrew, é interpretado por Miles Tenner que já sabia tocar bateria desde os 15 anos, por causa disso, consegue ser convincente fazendo todas as cenas do filme sem uso de dublê. O professor Fletcher é J.K. Simmons, um ator que todo mundo conhece de alguma pequena parte aqui ou ali – ele é o chefe do Homem-Aranha na trilogia antiga e quem dubla Cave Johnson em Portal 2 –  e sua marca pro grande público é sempre fazer alguém gritão autoritário que manda em outras pessoas e, esse mesmo papel, em Whiplash, causa num primeiro momento um conforto, já que se encaixa no estereótipo que temos dele, mas logo se mostra mais complexo, te surpreendendo ao te fazer pensar qual o proposito de todo esse comportamento. Será que ele faz tudo isso apenas para si, pelos outros ou pela arte?

 

Em busca da perfeição

Normalmente subtítulos brasileiros são sofríveis: “Uma Aventura Congelante”, “Amor em Vermelho”, “Tempo de Violência”. Curiosamente, o subtítulo que deram por aqui para Whiplash não é um desses casos, ele resume perfeitamente o filme, uma vez que a perfeição da arte é algo que está presente durante o filme. Quando vemos o jovem desejar grandeza e o professor exigir nada menos que a inalcançável perfeição dos alunos e, logo depois, ao vislumbrarmos um momento em que essa perfeição é palpável, tu sacas o que eles estão fazendo ali. Assim, para cada xingamento ou para cada noite mal dormida, tem o perfeito solo de bateira, tem o elogio que ninguém mais ganha. O filme te faz reverenciar o esforço necessário para criar uma música tomando tempo e mostrando a intensidade e beleza dela. Mesmo que eu saiba nada de música ou muito menos Jazz, o filme conseguia me fazer sentir intimidade pelos momentos de grandeza e, assim, tu entendes o mérito que eles querem alcançar.

drums

Mas a que preço?

Porém, ao mesmo tempo em que te mostram a grandeza que um músico pode chegar e como tu te sentes bem quando consegues isso, o filme não foge de mostrar a trajetória que as pessoas seguiram para estar lá. Sim, tem o esforço que todos nós adoramos admirar e romantizar, mas será que pode chegar um ponto onde exista tal coisa como esforço demais? Quando o foco vira obsessão? A gente sabe que todo grande objetivo exige sacrifício, mas quando será que tu estás cego sacrificando coisas que são importantes para a tua vida? Ou quando ser exigente querendo a perfeição se torna uma imposição doentia? Não se contentar com pouco é cruel ou necessário? Tudo isso o filme te faz perguntar e pensar, analisando até que ponto alguém pode ir para conquistar a arte e seus objetivos e, mais importante que isso, será que vale a pena?

 Whiplash

Sei lá

Sei lá. O filme não responde. Não mostra que vale a pena. Não mostra que valeu. Assim como um solo de bateria, Whiplash é rápido, eficiente, incessante. Como nos ritmos das batidas mistura a consagração da grandeza e a ausência de som que é a limitação humana. Ele não tá aqui para te dar alguma moral sobre a vida ou dizer como tu tem que viver, ele apenas mostra um dilema que todo mundo enfrenta na sua vida, e tu sai do filme compreendendo os motivos que levam a respostas diferentes para a mesma pergunta. Enfim, não é um filme como muitos de seus concorrentes, uma vez que não tenta criar heróis ou gigantes sagas de vida, pelo contrário, ele tem seu foco numa única questão e tenta explorar o máximo ela com a maior intensidade que conseguir. É ótimo, recomendo.

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