BOYHOOD: C’EST LA VIE

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4 anos atrás, quando eu estava no primeiro ano do ensino médio, eu tinha uma matéria chamada “História da Arte”. Ignorando os por menores que ainda ficam dançando em meus pensamentos sobre minha relação com o professor, a frase que ele falou na primeira aula que  ministrou para minha classe ficou gravada a ferro em fogo na minha vida:

 

Arte é a capacidade de fazer você sentir com simples atos”

 

É estranho falar isso. Dentro dessa oração, podemos falar que algo que te deixa triste é uma arte, já que por um ato, simples ou não, fez você sentir alguma coisa. É uma forma muito generalizada de se descrever coisas que para muitos é maior do que a própria existência já que, muitas vezes, é considerada eterna.

 

Mas eu me pego pensando na frase mais do que deveria desde que a escutei pela primeira vez e cheguei faz tempo na conclusão que ela é genial e, na falta de termo melhor, correta. Com a simplicidade de poucas palavras eu herdei um ideal para vida que ao mesmo tempo é completamente diferente daquilo que o meu professor falou, já que nunca saberei a concepção dele sobre ela. É essa a magia da frase e é essa a magia da arte.

 

E por isso, hoje eu escrevo sobre o que para mim é uma obra de arte e que para muitos talvez não seja. É um texto pessoal, é um texto que não quer falar sobre como a obra vai se sair contra seus concorrentes, nem sobre o seu processo criativo ou suas metáforas e significado gerais. Esse texto, sobre o filme Boyhood, é um texto sobre uma experiência. Sobre como essa obra executa o simples ato de me fazer compreender melhor o processo de amadurecimento e experiências que é a vida, se transformando em uma obra de arte ao meu ver.

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Boyhood obedece a risca as regras clássicas das histórias de amadurecimento. Se formos colocar na ponta do lápis, é um filme até mesmo bem genérico. Mas ele tem um trunfo simples e efetivo. Comprometimento.

 

Os seus 12 anos de filmagem junto do comprometimento dos atores em manter a caracterização e mudança dos personagens “natural” transformam a experiência do simples, genérico, para algo maior. A história de Mason Jr. e Samantha se torna mais pesada, mais efetiva na mensagem. Você literalmente está vendo eles crescendo e aprendendo a lidar com a vida, dentro de um ambiente sempre muito instável. É pesado não por ser uma história realista, não por ser um filme de amadurecimento. É pesado porque nós não sabemos lidar com a visão do envelhecer.

 

Qualquer outro filme que trabalha com um timeframe grande faz o uso de vários atores para um mesmo personagem. Muitas vezes isso quebra o laço necessário para que essas histórias sejam efetivas em nos fisgar. Caracterização ou qualquer coisa do tipo não nega que são pessoas diferentes no mesmo papel e isso tira imersão. Boyhood tem seu mérito justamente ai, ao não nos fazer chamar o nosso senso de desacreditar em nenhum momento. Não nos força a engolir mudanças simples na realidade da obra por elas não existirem e acaba por sendo 100% efetivo na mensagem.

Boyhood é muito de experiência. Talvez pelo momento que eu esteja passando ele tenha sido uma obra-prima sem tamanho, um testamento para o meu overthinking, apresentando durante suas 3 horas uma descoberta sobre as chamadas infância e adolescência, juntas do começo da vida adulta, que eu muito provavelmente não conseguiria sozinho. Ao mesmo tempo, para você, leitor, ele pode ter sido um filme chato e que se alonga demais.

 

E com isso, volto a história da frase que é a força motriz desse texto. Eu entendo uma coisa dela, meu professor entende outra e você muito provavelmente tem uma terceira hipotese.

Colocar qualquer uma delas frente a frente tiraria o mérito dela para você? Não, pois a sua experiência ainda vai sempre falar mais alto do que o que os outros dizem.

 

E isso, se expandindo pra vida e experiências, resume bem Boyhood. É um filme que lhe apresenta uma vivência e crescimento, mas tudo depende da sua experiência com os mesmos atos. Não estou falando de drogas, de sexo, nem nada do tipo. Estou falando do processo que desde que nascemos até o momento atual nos empurra pra frente e muda as nossas concepções.

 

Boyhood é só isso. E ser só isso já é muito. Assista.

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