Kamen Rider Gaim – Os Frutos da Ambição

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Ah, o Tokusatsu! Essa coisa brega, ultrapassada, engessada, difícil de se levar a sério…

É, eu já começo assim.

Contudo, espero que você não me entenda mal. Eu AMO tokusatsus, e pretendo continuar amando até que a vida me faça virar um montinho de cinzas. Mas precisava começar este texto de uma forma que te deixasse pelo menos incomodado.

E qual a melhor forma de fazê-lo? Bem, dizendo coisas que nós, os fãs do gênero, frequentemente não admitimos, como se o contrário fosse a revelação de um ódio enrustido. E dizendo também como as outras pessoas, que não são lá muito apaixonadas pelo gênero, veem o Tokusatsu. E você quer saber? Fora o preconceito e a clara má vontade em superar a barreira do “estranho”, elas estão certas.

O gênero Tokusatsu repete seus temas. Repete seus personagens. Repete seus poderes malucos invocados com vozes macarrônicas, os quais só nós achamos a epítome do estilo. Eu poderia ficar aqui, perdendo o meu e o seu tempo, falando de todos, todos os problemas do gênero (Que são mais parte do que amamos do que um problema em si), mas vou cortar a falação e ir ao que interessa.

Kamen Rider Gaim.

Gaim é a melhor série Rider já produzida, e com certeza uma das cinco melhores produções do gênero. Gaim é ambicioso, é sólido, não pede perdão pela própria coragem, não faz das convenções da franquia o seu tema principal. Gaim não é fácil para os seus personagens, e consequentemente não é fácil para nós, que assistimos.

E nisso, bem, Gaim às vezes escorregou. Caiu? De forma alguma. Mas escorregou.

“Escorregou” porque, no momento em que escrevo este texto, a série está terminada. E esse fim me dá a oportunidade de tentar, quem sabe, convencer você que não viu a assistir. Me dá também a oportunidade de discutir e apreciar com você, que também esteve nessa jornada junto com Kouta, Kaito, Mitsuzane, Takatora e tantos outros.

Uso agora essa oportunidade.

 

O Início

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Quando Gaim foi anunciado, ele soou como uma mistura de High School Musical, Pokémon, A Laranja Irritante e Samurai Warriors. Se uma mistura dessas quatro coisas não te faz ter pelo menos um arrepio, eu não sei o que fará.

Falando sério, era difícil engolir sem mais informações a trama que envolvia jovens de uma cidade do interior muito interessados em dança, que também usavam uns cadeados maneiros para invocar monstros de outro mundo (chamados Invess) e botá-los numa rinha, cujo vencedor ganharia pontos para que sua “equipe de dança” subisse nos rankings gerais. Esses eram os Beat Riders! Esses alegres jovens que competiam por… nada.

Esse estranhamento era completado pelos designs da série. Ok, sei que designs e a beleza dos mesmos estão entre os temas mais discutíveis do mundo, mas se os de Gaim não são os mais feios que já vimos, à primeira vista são pouco atrativos… e inspirados em frutas ( o que não chega a ser minimamente importante, mas pesa na balança do “Que diabos?!”).

A trama fala desse rapaz chamado Kouta Kazuraba, que gostava de dançar com seus amigos do Team Gaim, mas chegou num ponto que não quer e não pode estar com eles o tempo todo. Por quê? Bem, enquanto a juventude toda da cidade está lá, envolvida com os Beat Riders e seus monstros transdimensionais. Kouta quer saber de outra coisa. Ele quer ser um adulto.

Tecnicamente, ele já é um adulto, mas não é esse o ponto. Ele quer ser uma imagem idealizada do adulto, quer ter a missão idealizada da idade adulta. Kouta quer ser alguém responsável, admirável, a quem outros possam procurar, em quem outros possam se espelhar. Um terço disso vem do background dele, um garoto de pais falecidos que foi criado pela irmã mais velha, Akira. Outro terço vem de uma inerente vontade do rapaz de fazer o certo, de fazer o que é bom e justo, como todo bom e velho protagonista de tokusatsu.

O último terço vem de Kouta ser um tremendo de um ingênuo.

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Acontece que, por vias do destino, um dos melhores amigos de Kouta e mentor do Team Gaim, Yuuya, informa ao protagonista que encontrou um estranho cinto. Yuuya pede para que Kouta o encontre num determinado lugar, onde logicamente não há nada além de… uma fenda que leva ao mundo de onde são chamados os Invess. Uma floresta. Acompanhado de Mai, sua melhor amiga e também membro do Team Gaim, Kouta adentra a estranha dimensão e… o resto é história.

MAS é lá que ele consegue as Lock Seeds (os cadeados maneiros citados anteriormente), por sua vez inspiradas em frutas. Laranja (a forma básica do Kamen Rider Gaim), abacaxi, e por aí vai.

Tudo isso, todo esse festival de dimensões paralelas, monstros, frutas e dançarinos seria roteirizada por ninguém menos que Gen Urobuchi.

Sim, isso mesmo! O famoso roteirista responsável por coisas como Saya no Uta, as Light Novels de Fate/Zero e Black Lagoon, e o aclamado Puella Magi Madoka Magica. Um cara conhecido pelo seu estilo sombrio e trágico, sempre trabalhando temas niilistas que quase nunca levam ao que conhecemos como um “final feliz”.

Raios, não tem como isso dar certo, tem?

Pois deu certo. E muito certo. Provando que a execução é muito mais importante que a premissa, mas vamos deixar esse assunto para outro dia.

Mesmo assim, para boa parte dos fãs mais puristas, foi difícil ir além da sinopse. Conheço vários, e talvez você também conheça, que não assistiram Gaim ou não passaram dos primeiros episódios, e possivelmente nunca mais vão tocar em nada relacionado. Até certo ponto dá para culpá-los, mas também dá para compreendê-los. Quem é que botaria fé num samba do crioulo doido desses?

Eu e mais um número considerável de malucos. O que nós ganhamos?

Um ano inteiro de especulações, mistérios e discussões. Pela primeira vez um tokusatsu era capaz de nos fazer ficar na beirada do assento, tentando pegar pequenos fragmentos de informação onde quer que eles surgissem, montando teorias loucos que talvez se realizassem, e outras que nunca iriam se realizar. E isso foi divertido. MUITO divertido.

Moças e rapazes, lhes asseguro que foi uma bela de uma jornada.

Desde o primeiro episódio, Gaim mostra a que veio. Não é uma série que coloca a comida no seu prato por você, corta seu bife e amassa as batatinhas. Não, não e não. Gaim te chama pra dar um passo à frente e botar a cabeça pra funcionar. Gaim só revela o que você precisa saber no momento. Gaim tem personagens que são mais do que aparentam. Gaim tem a própria mitologia.

Nisso tudo Gaim é tão singular que nunca, em nenhum momento dentro de seus quarenta e sete episódios, usa o título/denominação Kamen Rider. Não. Gaim é um Armored Rider, e assim o conhecemos pelo caminho. Entretanto, Gaim respeita e referencia no subtexto todas as convenções da franquia, e referencia de leve tudo o que já foi feito (o próprio Urobuchi é um fã declarado dos Riders). É como se a série te dissesse, em todo momento, que sabe de onde veio e sabe por quê você está ali, mas com a coragem de ser ela mesma, e de se mostrar como ela mesma.

Kamen Rider Gaim é DEMAIS.

 

A Estrutura

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Continuando na linha do “Kamen Rider Gaim é DEMAIS”, uma das coisas que fazem a série ser DEMAIS é a estrutura.

Essa tal estrutura poderia ter sido terrível se mal executada. As peças poderiam não se encaixar, as disparidades poderiam ser enormes e nós acabaríamos assistindo uma criatura feita de braços e pernas que não pareceriam ser dela em primeiro lugar.

Gaim é uma série dividida em quatro arcos bem distintos (diria até mesmo que são quatro arcos e o desfecho, que é produto do que veio antes, mas outra coisa por completo). Esses quatro arcos tem, para os personagens, prioridades diferentes, inimigos diferentes, limitações diferentes a serem vencidas e, mais importante, ligam-se um ao outro de forma bastante competente. A transição é fluida, natural, com raros momentos de falha.

Isso beneficia o tema principal de Gaim, que é o crescimento. Crescer, tornar-se adulto, como o protagonista quer. Essa coisa que parece tão maravilhosa, e tão livre de amarras quando ainda estamos na infância das nossas noções de vida, mas que carrega uma imensidão de responsabilidades e sacrifícios…

…mesmo que você não seja um herói da TV japonesa.

As tais diferenças citadas ali em cima não apenas se apresentam diante dos personagens, como grandes e feiosos monstros. Elas se chocam contra eles, à toda velocidade. Quando o arco termina, e os herois (se é que podemos chamá-los assim) estão quase confortáveis com o que adquiriram, até onde foram e as resoluções nas quais chegaram, o punho invisível da realidade (deles, mas tendo uma tênue ligação com a nossa) vem bater-lhes na cara, sem piedade.

Aí cada um deles lida de forma diferente com isso, e essas formas entram em rota de colisão, e mudam o cenário que acompanhamos.

É bom não se sentir “seguro” enquanto você aprecia qualquer forma de mídia. Num tokusatsu, é ainda melhor. Depois de tanto tempo, foi e é bom não saber para onde se vai, e onde se vai parar.

“Mas é uma série infantil japonesa. Você sabe que o bem vai vencer no fim”. É, pois é. Mas a que preço? E com que jornada deixada para trás?

Um alto preço. Uma enorme e pesada jornada. Nisso também a estrutura de Gaim não decepciona. O triunfo do bem contra o mal está ali, como esperado, mas não sem uma forte sensação de melancolia alicerçada pelo que veio antes. Alicerçada por conflitos e caminhos que foram se tornando mais e mais inevitáveis.

Eu já disse que Gaim é demais? Disse? Ok, então.

Personagens

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São intrigantes.

Quero dizer, os personagens (principais, subentenda-se aqui) de Gaim são intrigantes. Não por serem um exemplo de complexidade no geral, mas por serem bastante complexos para uma produção do gênero. É difícil defini-los com uma única palavra e, se você conseguir, é bem possível que deixe toda uma multitude de características de fora.

Nessa base, temos personagens que também não podem ser julgados de forma simples. Se tal coisa for feita, Kouta é só um rapaz bonzinho, Kaito é só alguém que quer ser o mais forte e Mitsuzane é só alguém que merece apanhar muito.

Gen Urobuchi é conhecido por isso também. Em entrevistas, ele já declarou que não gosta de criar personagens fáceis de se compreender em primeira instância. Na visão do autor, é mais interessante quando o espectador ou o leitor tem de dar um “passo à frente” e tentar compreender o que se passa por trás das primeiras camadas do arquétipo.

Se você é do tipo que gosta de dar esse passo e de passar um tempo discutindo motivações e interesses, vai amar Gaim. E vai se sentir compelido a continuar Gaim, toda santa semana. Porque, sim, é essa complexidade, apresentada de um jeito bem intrincado para uma série voltada primeiramente para o público infantil, que faz o Rider em questão ser tão apaixonante.

As dúvidas do Kouta e a incapacidade dele de seguir em frente em alguns dados momentos podem ser irritantes no primeiro contato. Depois, parando para pensar, será que as nossas dúvidas não seriam as mesmas? E será que ter as tais dúvidas não é o que exatamente o faz “melhor” e “mais humano” que os que estão à sua volta? Seja qual for a resposta, isso não o poupa de sujar as mãos em nome do ideal que abraça.

E o Kaito? Mais um daqueles personagens “edgy and cool” que estão lá para falar frases de efeito, fazer belas poses e serem tão raivosos e duros quanto nós não conseguimos ser na vida real, não é? Também. Mas toda essa raiva, todo esse rancos, essa vontade de demonstrar poder tem grande ligação com sentimentos que conhecemos bem. Impotência, fraqueza diante da vontade da “sociedade adulta”, a vontade enorme de cortar relações com tudo isso, estar longe e em paz, ou mudar tudo, começar do zero…

“Mas é o Mitsuzane?”. Ele, como todos nós, acorda todo dia dizendo que sabe o que está fazendo, quando na verdade não sabe lá muito bem. Assim como o seu irmão, Takatora, que assume responsabilidades grandes demais para um só homem, assume que o seu ideal é o mesmo que o de outros, e perde o controle. Falha.

Os personagens em Gaim não são poupados pelo inimigo. São ainda menos poupados por si mesmos.

Certo dia perguntei a um autor de quadrinhos, via Twitter, o que é mais importante numa história. Ele me respondeu que são os personagens. Eles são tudo. As escolhas que eles fazem, as atitudes que tomam, movem o plot e o mundo.

Se isso é a verdade, como acredito que é, então Gaim é um exemplo a ser citado.

 

A Mitologia

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Algumas vezes, quando se diz que alguma obra tem “mitologia própria”, quem ouve tende a pensar que isso é sinônimo de uma junção de mitos e lendas criadas do zero, do nada, out of the blue, O que não é verdade. Quando se fala de mitologia própria, a singularidade não está em ser algo sem a influência dessa ou daquela referência (Se é que existe algo assim), mas sim em se diferenciar das demais mitologias existentes, mesmo tendo quaisquer similaridades com elas.

E falando pode parecer fácil, muito fácil. Mas não é. O que é realmente fácil quando se tenta criar a tal glorificada “mitologia própria” para uma história é cair no lugar-comum, no clichê mal executado, numa cópia quase fiel (todavia querendo parecer que não) do que já existe. Falhar aí é bem fácil.

Sim, vocês já sabem que eu vou dizer que Gaim também NÃO falhou nisso! É, eu estou ficando previsível, mas é por uma boa causa. Vamos lá explicar o porquê.

Gaim empresta algumas (muitas) coisas das mitologias católica e judaica, e um pouco também de outras vertentes mais místicas, detentoras de uma visão mais “cósmica” da criação. Dizer muito mais que isso seria dar spoilers colossais (o que não é o objetivo deste texto), mas essa colcha de retalhos feita na série, com pontuais distorções do estilo do Urobuchi, tornam os “comos” e porquês de Gaim únicos, e casam perfeitamente com o tema de crescimento e amadurecimento.

Há momentos em que essa mitologia diminui seu tamanho, para se adequar ao seres e temas humanos do plot (como as ideias sobre o conceito de Deus com o homem ocupando seu lugar), e em outras oportunidades os mitos da série se extrapolam, ficam maiores, mais chamativos e excêntricos, tanto em favor do estilo e da awesomeness, quanto em favor de mostrar o escopo da trama, o que está em jogo.

Essas escolhas que citei foram e são uma lufada de ar fresco num segmento que, embora tenha uma leve (Bem leve, vamos admitir) variação em suas origens, adversários e aliados, pende sempre para o “Monstro X surge, com más intenções. Herói similar deve se botar contra ele”. Não que Gaim não seja assim debaixo de suas camadas, afinal é um Rider e é um tokusatsu. Mas Gaim dança mais com os conceitos, brinca mais com o possível e o provável, e traz o Kamen Rider para um papel subjetivamente mais importante do que tinha anteriormente.

 

A Jornada do Heroi

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Nesta parte, serei breve.

Em que momento o protagonista de uma série Rider se torna o heroico Kamen Rider?

Assim que ele aceita colocar o cinto em volta da cintura. Bem ali. Depois não há dúvidas, ele é o Kamen Rider. O escolhido, o predestinado, o mais indicado para ser aquele monólito que representa o amor e a justiça!

Em Gaim, isso não é tão claro logo de cara. Se você tem alguma mínima experiência com tokusatsu, com Riders, e sabe o papel do personagem principal, sabe o porquê de Kouta estar com o cinto dele. Porém, o próprio cinto é “genérico”. O Sengoku Driver (como é chamado o equipamento), não é algo único e raro por si só, e não está nas mãos da pessoa mais indicada para o “serviço”.

Kouta não se torna o que conhecemos como Kamen Rider logo que empunha suas armas pela primeira vez. Só no final, depois de uma longa jornada, cheia de dor, tentação e desespero, é que ele se revela como a pessoa certa, o heroi que aquele mundo precisava.

Talvez seja por isso que Gaim seja um Armored Rider. Mas até aí sou só eu escorregando para os campos da especulação. Dito isso, não faz mal nenhum especular e teorizar.

 

Derrapadas

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Como toda empreitada ambiciosa. Gaim teve seus escorregões. Poucos, mas teve. Se eles não comprometem as propostas e os temas colocados em pauta pelo seriado, ainda assim é bom citá-los, a título de informação ou curiosidade.

O primeiro defeito de Gaim está em como ele retrata as poucas mulheres que surgem em seu roteiro. Claro que o Urobuchi nunca teve esse aspecto como um de seus fortes, e não se pode julgar todo o seu trabalho baseando-se somente nisso, mas o problema está lá. Não há grandes atitudes da Mai, por exemplo, no decorrer da história, além de ser uma motivação ou um acessório para a ascensão dos personagens mais próximos a ela. Sim, há um reconhecimento bonito pela fibra moral, lealdade e bom coração dela durante o percurso, mas fica por aí.

O mesmo acontece com Yoko, que surge um pouco mais para frente na série (podem sossegar que isso não é spoiler nenhum). Ela está ali mais para ser uma decoração ou uma “capanga de luxo” do que alguém com as próprias motivações e desejos. E sim, ela é extremamente hábil em combate, e sim, ela é mais forte e esperta que muitos dos menores personagens masculinos ali e que, diferente dela, ganham um destaque maior. Novamente, não é algo inesperado dentro do estilo do Urobuchi, mas é algo a ser notado e refletido.

Pra não dizer que as falhas ficam só nas personagens femininas, um rapaz também é afetado pelas derrapadas de Gaim.

Kaito.

Ele inicia a série com um discurso, muda o mesmo de metade até a reta final, e na mesma muda suas diretrizes mais uma vez. No apanhado da obra ele consegue ainda ser um personagem muito interessante, e com o mínimo de indulgência por parte do espectador consegue-se entender o âmago das motivações dele. Contudo, se o personagem necessita dessa tal indulgência pra ser compreendido, então o trabalho nele não foi tão cuidadoso assim.

Nada na vida ou no entretenimento é realmente perfeito, e Gaim não foge dessa regra. Outras reclamações diversas podem ser feitas por outros, mas acredito serem problemas bem mais subjetivos que os citados acima (porque quase todo problema no entretenimento é relativo ou subjetivo). E como falado também, não comprometem a grande experiência que é a série. Reconheça os defeitos, exalte as qualidades e siga em frente.

 

A Ambição, O Futuro, e as Considerações Finais

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Ao término de tanta falação, vocês já devem concluir que Kamen Rider Gaim é uma série ambiciosa. Não revolucionária (um termo bem banalizado), porque afinal sabemos que não vai criar uma tendência e nem mudar esse nicho do nicho que é o Tokusatsu. Mas a ambição está lá, evidente, querendo expandir os limites do que se pode fazer ou do que foi feito até então.

Gaim quer ser mais. Gaim foi, de fato, mais. Isso não causou cem por cento de acertos em tudo que a série tentou, mas Gaim foi o melhor que pode. E sendo o melhor que pode, foi o melhor Rider que já tivemos. De tão bom que foi, pode nos deixar mal acostumados… se não tivermos bom senso.

Dá pra julgar o que vem pela frente tendo Gaim como base? Não. Gaim foi sua própria coisa doida, viveu confinado em seu próprio universo ao invés do famigerado “Multiverso Rider” da Toei, experimentou e obteve o que queria. Comparar o Kamen Rider “tradicional”, que gostamos tanto quanto, com a boa loucura que foi Gaim, seria injusto.

Nada será tão bom quanto Gaim, mas Gaim não tem com quem competir. No estilo dele… só tem ele mesmo.

Além do mais, que besteira é ficar discutindo, comparando, criando padrões de qualidade que são inteiramente relativos e nunca justos por inteiro, não é? Apreciar cada pequena coisa pelo que ela é, e não pelo que outra é, é fundamental. Perdoando-se as ocasionais zoeiras.

E isso, junto com os horrendos crossovers junto com outros Riders (os quais verei, porque sou um idiota), é o que se pode esperar da “influência” de Gaim. Voltamos à programação normal, com o passado estando sempre lá, para quando você quiser ver de novo e de novo.

Se você assistiu Gaim e não está ocupado com o cubo mágico ou atividades mais libidinosas, discorde de mim ou concorde comigo nos comentários. Se você não viu, seja porque você é edgy demais para ver uma série de guerreiros-fruta lutando contra o destino, ou porque não teve tempo, ou seja lá qual for o seu motivo, assista. Dê uma chance. Dê OUTRA chance, se você já gastou a primeira. Gaim merece.

Don’t say no, just WATCH more.

Agora, com sua licença, vou ali chorar de saudades e esperar a vinda de Drive, nosso próximo herói. Até mais!

PS: Agradecimentos especiais ao Douglas (@sir_lanmar) por ter sido o beta reader deste texto, e ao Bruno (@VioletTachihara) pelas screenshots, as quais eu tive muita preguiça de ir catar sozinho.

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Felipe tem medo de ir preparar uma vitamina e acabar dançando sem parar.

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Um comentário sobre “Kamen Rider Gaim – Os Frutos da Ambição

  1. Acredito que o maior ponto forte de Gaim também é seu maior ponto fraco.

    Gaim é a prova absoluta que: infantil não é imbecil. Gaim é complexo, é intrincado, detalhista. Como o texto disse, o que ele faz de melhor é te tirar da sua zona de conforto. E isso, num tokusatsu, estilo de entretenimento historicamente pautado em nunca sair dos próprios clichês e alegorias, é admirável. Num total de 47 episódios (45, se você não contar os “fillers”), Gaim conseguiu fazer quatro ou cinco arcos, dependendo da sua interpretação, que simplesmente reinventam a série a cada 10 episódios, em média. A série começa com um torneio de dança, passa pra uma conspiração industrial, vai pra uma ameça dimensional sem rosto, chega a um confronto de humanidades (sim, no plural) e termina com um debate sobre ideologias. Você, como espectador, fica quase sem fôlego.

    PORÉM, como eu disse, isso se deve também ao que eu considero o ponto fraco de Gaim: ele é muito mais efetivo em quem já acompanha, ou no mínimo conhece tokusatsu ou Power Rangers. Todas as quebras de expectativa que ele promove não tem uma eficácia muito grande se você não tem expectativas para serem quebradas. Não que isso torne a série inassistível, de forma alguma. Mas, tenha sempre em mente que Kamen Rider Gaim é um tokusatsu. Um show infantil para crianças japonesas. Praticamente um tutorial de como usar a linha de brinquedos de 2014 da Bandai. Mas, díspa-se de preconceitos e aprecie a história como ela é.

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