Berserk 336 – Um Terceiro Ponto de Vista

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E você achou que a relação entre bem e mal não poderia ficar mais complexa…

Nunca foi muito bem definido, em Berserk, pra quem você deve torcer. Muitos leitores defendem que o Griffith é um vilão por ter feito o que fez no eclipse, uns dizem que não conseguem tomar ódio pelo personagem pois se colocam na situação dele, outros acreditam que pelo que está acontecendo hoje, para o mundo que o autor criou, o vilão é o próprio Guts (me encaixo nesse grupo) e tem alguns que simplesmente suspendem o julgamento, pois ainda esperam por mais revelações sobre Falconia e sobre o Femto.

Não é só isso, visual e conceitualmente, a dualidade entre bem e mal é muito questionada no mangá, principalmente na relação entre Guts e Griffith e entre o Falcão Branco e o Femto. Guts veste preto, tem um porte físico e uma aparência máscula, usa uma espada do tamanho do próprio corpo e vive pela espada. O Griffith só veste branco, parece uma mulher, usa uma espada de esgrima e vive pela ambição de ter um reino dele. Da mesma forma, o Femto é uma representação do mal, um mensageiro do Deus que foi criado pelo ódio, enquanto o Falcão Branco é um messias que emana a luz e projeta a sombra para o Femto.

Com isso, como eu disse antes, não é consenso quem está errado e quem está certo. E nesse cenário super cinza, onde o leitor tem o ponto de vista do Griffith e do Guts, o Miura trabalha, nesse capítulo 336, um ponto de vista de um observador externo, o Rickert. É interessante porque o Rickert conhecia os dois lados da moeda e agora colocam-no na parede para saber o que ele acha do Falcão.

No meio do capítulo também é reforçada a imagem de Falconia como um país próspero. A personagem que era uma prostituta, que vivia em barracas e que sabíamos que ia pro país do Griffith, agora vive uma vida tranquila e normal. Um velho feiticeiro (ou pelo menos é o que deu a entender que ele era) controla uma menina e simplesmente a ensina que não deve chegar perto dos estábulos, mostrando o quão cotidiana virou a vida junto do sobrenatural. E mesmo quando cria-se uma expectativa para algo que revelaria o lado negro do país, essa é subvertida mostrando algo que, por mais que seja grotesco, é uma maneira necessária e não prejudicial de controlar a sede de sangue dos apóstolos.

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Mesmo o que Falconia tem de mais sombrio ainda é uma ferramenta que serve à prosperidade

Nisso tudo o Miura não só reforça que aquele personagem que ele te fez odiar por volta do capítulo setenta, agora criou uma utopia onde o segredo mais obscuro é no máximo “ruim de ver”, mas nada nem perto de ser mau, como também reforça a falta de ódio por parte do Rickert. Óbvio que o membro mais novo do ex Bando do Falcão ainda não ouviu o que aconteceu pela boca do ex líder, mas o que foi mostrado nesse capítulo foi uma extensão dos tons de cinza e da questão sobre o que é bem e mal em Berserk. Esperando ansioso pelo próximo!!


Pára de jogar Idol Master e vai desenhar, Miura!! Quero ver o fim desse mangá um dia!!!

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