Giant Killing e voltando com o futebol

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É, eu sei, seria o nome perfeito para Shingeki no Kyojin, não é?

Neste período pós-Copa, sempre tem a galera que volta a ficar animada com futebol depois das emoções que o evento proporciona — provavelmente ainda mais agora, depois da Copa das Copas — e que corre atrás de materiais de entretenimento relacionado ao esporte. Sejam matérias, filmes, notícias, essa galera fica procurando saciar a sede por futebol. Durante a Copa eu estava bem assim, consumindo tudo relacionado a futebol que eu via pela frente. Era bem mais bacana do que falar sobre brasileirão, porque era um assunto mundial, todo mundo estava ali sabendo das últimas e assistindo aos jogos assiduamente.  Começar uma conversa assim era fácil, “Viu a nova? O técnico da Holanda provocou o Felipão e ele retrucou!”, “Tô dizendo, esse Müller é perigoso!”, “Tô mal até agora pela derrota do Brasil…”, “Culpa do PT!”. Mas então, eu estava sentindo falta de ler algum mangá sobre futebol, e aí me deparei com Giant Killing.

— É um mangá com um protagonista como técnico, quero ver no que vai dar.

Foi o que pensei.

De fato, é bem diferente das minhas experiências anteriores recheadas de shonens focados em um jogador específico e coisas dentro de campo. Gosto de coisas novas, então por que não, né?

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GK fala sobre um ex-jogador japonês que agora é técnico e está na liga de futebol inglesa, levantando um time com jogadores não-profissionais, com um goleiro que trabalha na padaria da esquina, por exemplo. Tatsumi Takeshi, o técnico, é chamado para o East Tokyo United (o ETU, como chamado por todos), um time que está na merda nas competições japonesas de futebol. Tatsumi foi um jogador desse time, aliás, foi a maior estrela desse time nos tempos de futebolista. Após aceitar a proposta, ele sabe que a missão dele é fazer o ETU voltar a ser como era quando ele jogava: um time de respeito e de nome.

“Giant Killing” é um termo usado na Inglaterra para eventos onde times pequenos ganham de times grandes, matando gigantes. É interessante isso, porque na volta de Tatsumi ele tem o objetivo de matar vários gigantes nascidos após a saída dele. Sejam as cobranças da torcida organizada — que não está satisfeita com a situação do time há um bom tempo, pressiona a direção pela contratação do novo técnico e está sempre nos treinos mandando mensagens de apoio para alguns jogadores e ofensas para o técnico —, a imagem do atual capitão, uma própria parte da direção do clube descontente com a contratação e dúvidas no ar sobre o desempenho dele em todos os lugares. Ele está contra quase todo mundo, mas se importa em não decepcionar quem está do seu lado.

Primeiramente, Tatsumi faz jogadas polêmicas para um técnico. Como, por exemplo, fazer uma corrida dividida entre jogadores de suas respectivas posições para decidir quem ele vai escalar no primeiro jogo. Mas isso não é nada comparado a colocar o capitão do time na reserva logo na primeira partida. E essas atitudes só vão deixando o personagem com mais carisma e mais imprevisível. As ações dele posteriormente mostram uma certa paciência para agir, não tendo medo de perder no começo para poder se fortalecer e melhorar componentes necessários para o grupo. Takeshi dá a vida para o seu time, 24 horas por dia agindo para melhorar o time com as coisas mais banais, mas que ele acha que pode melhorar no convívio e no desempenho dos seus jogadores psicologicamente e fisicamente.

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Este texto até agora fala bem mais do Tatsumi do que o mangá realmente foca, e isso é bom. GK consegue abranger tudo do futebol, desde comissão técnica, direção de clube, torcedores, imprensa, comunicação entre os jogadores… Tudo está presente. Você pode simplesmente acompanhar um clube fictício de diversas formas diferentes do mesmo jeito que você torce por um time real, mas com um plus: você consegue ver tudo pelos bastidores e sentir tudo aquilo. É como se viesse um time novo pra você torcer.

E como todo time tem seus jogadores e personagens, Giant Killing não perde a chance de mostrar o pensamento deles e a posição deles em relação ao resto da equipe e ao público. Lembra que eu pensei que o treinador era o protagonista? Então, eu estava enganado. Cada um acaba sendo protagonista de alguns jogos e acontecimentos, por diversos motivos. O jovem promissor que fez uma bela partida, mas está nervoso com os próximos jogos. O artilheiro da equipe que está com medo de perder a sua vaga na escalação principal por não fazer gols faz um tempo. A alma motivacional do time que apoia nos tempos mais difíceis. Todos esses são personagens visualizáveis em praticamente todo time de futebol, e eles aparecem em GK nos seus devidos momentos.

Vejo a obra como algo perfeito para se consumir para alguém que está voltando ao mundo do futebol, dá pra sentir todo o lindo clima interno e externo do esporte. Você fica triste pelas derrotas, nervoso quando alguém chuta ao gol e só a bola fica em foco com um fundo vazio atrás, feliz quando seu time ganha e empolgado quando seu jogador predileto está fazendo um partidaço. Tudo isso num pacote só, ou melhor: num mangá só.

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Inclusive há alguns personagens para o leitor em questão se identificar: torcedores mais velhos do ETU que haviam perdido a vontade de ver futebol após o seu time perder a glória, mas eles voltam após a notícia do novo treinador ser o Tatsumi — o grande ídolo deles na época— e retomam o costume de ver os jogos, torcer e se emocionar com o esporte. São personagens que fazem parte de núcleos que englobam quase tudo do futebol.

A arte é diferenciada e se destaca em diversas ocasiões. O desenhista consegue trabalhar bem com movimentação, detalhes específicos de roupas e ângulos perfeitos para mostrar o jogo em páginas — provavelmente pesquisou várias imagens de fotógrafos de jornais e revistas com esses ângulos. Muito do sentimento expressado nas páginas é pela escolha dos ângulos certos e de técnicas específicas para deixar os acontecimentos dos jogos mais impactantes. Sério, deem uma olhada nessa sequência de páginas sem falas mostrando o momento mais mágico do futebol.

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Foi ótimo ler a obra sendo esse leitor em época de Copa e definitivamente foi uma das minhas melhores leituras com mangás de esportes. Recomendo isso para todo mundo que tá a fim de ler algo relacionado a futebol.


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Eu realmente acho o treinador-adjunto do ETU bem parecido com o Murtosa.

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2 comentários sobre “Giant Killing e voltando com o futebol

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