O Pacto – O diabo. Uma vingança.

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Ignatius viu sua vida mudar drasticamente de um dia para o outro e agora tem a chance de conseguir sua vingança graças a um poder divino: Um poder concedido pelo Diabo.

Essa é a premissa de O Pacto, terceiro livro de Joe Hill e a minha primeira leitura deste autor.

03Vamos começar o texto com uma perguntinha: Quem é esse tal de Joe Hill? Bom, ele é ninguém menos que o filho do grande escritor Stephen King. Mas não vamos notar apenas isso. Todo o sucesso que ele conseguiu até agora e todos os vários comentários positivos a respeito das suas obras não foram conquistados por conta dele ser apenas o “filho do Stephen King”. O cara realmente possui um talento incrível.

Joe Hill usa uma forma de enredo bastante intrigante durante todo o livro. Alternando-o de formas variadas e que parecem ser bem temáticas de acordo com as partes em que dividiu o livro. No livro somos apresentados ao protagonista Ignatius Perrish. Ele perdeu a sua primeira e única namorada, Merrin, que foi assassinada e estuprada brutalmente. Os dois estavam juntos há mais de 10 anos, se conheceram quando adolescentes, e Ig foi considerado o suspeito principal do acontecimento. Um ano depois, o caso continua em aberto e Ig ainda vive desconfiado pelos amigos, família e por todos da cidade. Em um certo dia, ao acordar depois de uma tremenda noite de bebedeiras, ele descobre estar com um estranho par de chifres nascendo em sua cabeça. Mais algo de ruim para a sua vida infeliz.

Qualquer um acharia estar sonhando, o que não foi diferente da parte de Ig.

Logo ele descobre que as pessoas não se assustam ao ver os chifres em sua cabeça, mas começam a agir de uma maneira estranha. O primeiro impacto no primeiro dia da vida de Ig como um diabo acontece: as pessoas começam a confessar os seus maiores segredos e pecados quando estão perto dele. Vemos um médico que confessa estar louco pra dar uma cheirada em um remédio e um padre que admite estar pecando sexualmente, porém as tais confissões não param por aí.

Se Ig achou que aquilo foi assustador e bastante revelador, o que ele descobre a seguir faz com que ele passe a perceber realmente o motivo de ter recebido tais poderes. Ao chegar na casa da sua família, a sua avó revela estar cansado dele e que, assim como os seus pais, acha que Ig foi o culpado pela morte de Merrin. Impactante não? Mas o dia das revelações ainda não havia chegado ao seu gran finale, pois a revelação final viria da boca de seu irmão: Ele não acha que Ig é o culpado, pois ele estava lá quando Merrin foi morta e estuprada. Ele viu tudo. Ele foi o cúmplice daquele ato e ele sabe muito bem quem foi o verdadeiro culpado.

Tudo isso acontece no começo do livro e é apenas o pontapé inicial da obra. Durante as primeiras páginas era impossível deixar de ficar impressionado com aquela história. Vinha aquela ânsia de “quero mais confissões, quero saber mais sobre esses personagens!” que era impossível de ser contida. Ao fim da primeira parte, quando Ig descobre a identidade da pessoa que arruinou a sua vida, o autor mostra que o livro será algo bem maior daquilo que ele fez o leitor acreditar.

Ig começa como um derrotado e cresce imensamente durante o livro, mentalmente e fisicalmente. Ora, o diabo lhe deu poderes, mas não apenas isso. Os chifres em sua cabeça vão crescendo e ao decorrer da história ele passa a virar um diabo fisicamente.

Só que o diabo não é um ser maligno?

O culpado pelo assassinato de Merrin possui um complexo de deus, mas o mesmo é o vilão do livro. Será que isso está correto?

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O autor, Joe Hill

Esse é um dos grandes debates do livro em que o autor parece incorporar o protagonista e começar a se questionar: Será que o Diabo é mesmo o vilão? Ele tem culpa de estar fazendo apenas o que deve mesmo ser feito? Deus não faz a mesma coisa? Não entrarei em debates religiosos, mas o ponto de vista do autor em relação à história deixa algumas situações bastante interessantes para serem analisadas.

Como posso falar mal de uma obra dessas sendo que o autor usou tão bem das suas habilidades literárias? Não digo que o livro seja perfeito, mas deixo bem claro aqui de que foi um dos melhores livros que já li. O flashback que acontece logo após a revelação pode quebrar a cara de muita gente que gosta de livros frenéticos do começo ao fim. Uma quebra de ritmo dessas serviu intensamente para mostrar a história por trás dos personagens e de como tudo o que se passou ali resultou nas pessoas que elas se tornaram.

E faz você ter uma grande compaixão por elas e uma admiração ainda maior pela obra.

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E não tem uma hora melhor para comentar sobre este livro do que agora, pois a adaptação cinematográfica do mesmo está a poucos meses de estrear. Quase 1 ano após a exibição exclusiva no Toronto International Film Festival, o filme de O Pacto (Horns, em inglês) será lançado nos Estados Unidos no final de Outubro e conta com o ator Daniel Radcliffe no papel de Ig.

Mesmo que eu não confie muito em trailers, posso dizer que a prévia do filme me deixou bastante interessado na adaptação. Como um grande fã da obra (e agora do Joe Hill), espero que o filme seja tão bom quanto o livro, mesmo que em muitos casos por aí eles deixam a desejar.


QbJ6Szl

Symon é um grande fã de Stephen King e, após ter lido O Pacto, passará a ser também de Joe Hill. Tal pai, tal filho.

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