Macross – Do You Remember Love?

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Uma ópera espacial que realmente tem cara de ópera 

Se você manja relativamente bem de cultura pop japonesa, mais especificamente falando de animes, provavelmente já deve ter topado com o nome MACROSS em sua frente. Macross nada mais é que uma das franquias clássicas mais importantes da animação japonesa, ao lado de outras como Gundam, Lupin the Third e as obras de Leiji Matsumoto, por exemplo, e até hoje, a série gera material.

Resolvi começar as minhas aventuras na franquia e um amigo me recomenda começar por este filme, lançado em 1984, que é, basicamente, uma releitura da série original de TV de 36 episódios produzida dois anos antes. Por isso, vale ressaltar que, até o momento da escrita desse texto, não assisti a série de TV, porém o filme me convenceu a tal. (sim, dá pra desfrutar e entender o filme sem nenhum tipo de conhecimento prévio de Macross antes, se é isso que está se perguntando aí)

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Acho que um bom ponto pra começar a falar de “Macross – Do You Remember Love?” é contextualizar que o filme é um puta exemplo concreto do que é uma space opera, mas apesar de seguir e abraçar forte vários tropes do gênero, possui sua singularidade. O filme basicamente gira em torno de 3 temas, que de certa forma, possuem relação entre si: guerra, cultura e amor. Não venha assistir pensando em encontrar um monte de robô gigante ou naves trocando tiros entre si (essas coisas estão lá até, mas são tipo a cereja do bolo), pois Macross é mais uma história de como o amor pode nascer entre as pessoas em tempos de guerra causados por choques culturais do que sobre coisas gigantes disparando raios umas nas outras.

Ao iniciar do filme, somos apresentados ao mundo em que o enredo se passa. Num espaço futurista, há uma guerra entre 3 grandes grupos: os humanos e uma raça de seres alienígenas gigantes divididas em dois subgrupos, os Zentraedi (os machos da espécie) e as Meltrandi (as fêmeas, que estão em guerra com os Zentraedi). Durante essa guerra, outra informação relevante a soltar é que os humanos estão abrigados numa gigantesca fortaleza/colônia espacial chamada “Macross”, que há meses do começo do filme partiu para o espaço para salvar parte da população de um grande bombardeio ocorrido na Terra, e finalmente está voltando pra casa.

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Algumas das informações de construção de mundo podem soar um tanto quanto confusas no começo, mas esse provavelmente é o preço pelo qual a obra teve que pagar para poder contar a história de um anime de 36 episódios em um filme de 115 minutos de duração à sua própria maneira, mas o filme sacrificou um pouco disso em prol da maior força motriz de Macross: a breve história de amor entre Hikaru Ichijou, um dos pilotos do grupo de soldados da Macross e uma jovem cantora bastante famosa chamada Lynn Minmay e seus futuros rumos e consequências para o desenrolar da guerra (sim, está tudo relacionado, por incrível que pareça, mas não vou entrar em muitos detalhes para evitar spoilers).

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Mesmo que o desenvolvimento de algumas coisas possa deixar a desejar para alguns (provavelmente, o maior e único problema com o filme), a narrativa consegue se impor sozinha sem dependência da série de TV e contar sua própria história do seu próprio jeito, mesmo que às vezes o pacing pareça meio corrido, mas Macross DYRL sabe dosar bem tudo isso a seu favor com uma direção de dar inveja a muitas animações de longa-metragem da época. Estamos falando de um filme de TRINTA anos atrás e em vários aspectos técnicos ele ainda se mostra bem poderoso, desde a direção de arte, a animação de primeira linha (que possui algumas cenas, em pleno século XXI, realmente de cair o queixo, principalmente na reta final do filme) e uma trilha sonora absurdamente contagiante e bela. Em termos técnicos, consigo dizer facilmente que é um dos filmes mais bonitos e bem dirigidos que assisti em um bom tempo. É realmente incrível como envelheceu tão bem, ou quiçá, podemos dizer que nem envelheceu.

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Caralho, olha só essa animação! Parece coisa de 30 anos atrás?

 
À proporção de que ele é um dos filmes mais bonitos que já vi, é uma das histórias mais bregas também. Na frase que abre esse post, eu defini Macross como “uma ópera espacial que realmente tem cara de ópera” e ele é exatamente isso. Uma das mais diretas definições do gênero Space Opera que costuma se ver por aí é de que tratam-se de histórias ambientadas em ambiente espacial e muitas vezes carregadas de drama, romance entre personagens e reviravoltas na história, quase como uma novela no espaço mesmo (tanto que já vi usarem o termo “Novela espacial” pra se referirem ao gênero). Pois bem, Macross DYRL é EXATAMENTE isso, sem tirar nem pôr: uma novela espacial. Com direito a melodrama bem carregado e típico de histórias de amor de antigamente e personagens com trejeitos quase teatrais conduzindo a narrativa, bem como numa ópera mesmo. 

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Pense em clichês que você provavelmente já deve ter visto numa novela, tipo aquelas reações exageradas de personagens como um “OH MEU DEUS, AGORA FULANO AMA TAL PESSOA!” acompanhadas de uma ênfase técnica no personagem durante o momento em que ele diz isso. O filme possui desses momentos, mas faz de um jeito que soe adequado à sua proposta. Aliás, outra coisa que torna o filme uma, literalmente falando, ópera espacial são os vários momentos musicais durante a narrativa. A direção do filme se mostra realmente afiada nesses momentos, com a ajuda da direção de arte e da trilha sonora (que eu já falei que é excelente, né? Só pra frisar mesmo, pois as músicas são realmente ótimas).

Ainda que o filme tenha pequenos problemas com pacing e desenvolvimento de algumas coisas que são deixadas em aberto por razões de foco (e antes que alguém diga algo, não… breguice melodramática oitentista não é um problema), nota-se que temos um produto bastante refinado que consegue ter seu brilho próprio sem depender da força do material original. Se o objetivo do filme era me deixar com um sorriso na cara após o final e vontade de ir atrás da série de TV pra conhecer em mais detalhes o background da história, devo admitir de cara limpa que esse safado fez a lição de casa direitinho. O meu amigo que o indicou pra mim realmente tinha razão, é um ótimo filme pra introduzir alguém à grande saga Macross.

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No final, o que tenho a dizer sobre “Macross – Do You Remember Love?” é: se você curte uma boa space opera e não liga pra melodrama bem feito, pode pular de cabeça no filme que com certeza lhe será uma boa experiência.

E você, se lembra do amor?

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Grande fã de Space Operas e coisas bregas dos anos 80 que é, nem precisa dizer que o senhor Nintakun adorou esse filme e agora coloca algumas de suas lindas músicas em sua playlist diária pra ficar cantarolando e se balançando de um lado pro outro, né?

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4 comentários sobre “Macross – Do You Remember Love?

  1. Se eu tivesse que recomendar um anime próximo da perfeição para um amigo assistir , eu recomendaria a série Macross, que eu digo perfeita não no sentido da perfeição em si, mas sim porque é bem balanceada em todos os aspectos, tanto na parte do romance, como na parte da ação e do drama, sendo portanto perfeito nesse sentido. Só lembro de ter assistido algo assim no Remake de Uchuu Senkan Yamato. Assim são as Space Operas se você considerar também Legend of The Galactic Heroes. Space Opera, levando o ser humano ao limite em tramas em que ele descobre o amor, o sentido da existência e a honra de lutar ao lado de amigos pela própria sobrevivência e pela sobrevivência da humanidade, trazendo assim o melhor de nós em suas tramas.

    • Pior que após escrever esse texto eu fui atrás da série de TV do primeiro Macross (até a hora em que escrevi esse comentário, não terminei de assistir tudo ainda) e, realmente, é tudo muito bem dosado e a história sabe se desenvolver em vários aspectos e toma o tempo necessário pra isso, sem ir rápido demais ou devagar demais e assim noto como o filme fez um bom trabalho em condensar algumas dessas coisas pra funcionar nesse formato. Tá sendo uma experiência bem interessante e um ótimo anime. Estou gostando bastante, principalmente do núcleo de plot que mostra o choque cultural entre os humanos e os Zentraedis que tá sendo a coisa mais interessante do anime, pra mim. 😀

      • Sim! A Protocultura! Era assim que era nomeado pelos alienígenas da raça inimiga dos Zentraedis e que era justamente o nome dado a cultura humana original na primeira dublagem em português. E sim! O conceito da Protocultura é uma das coisas mais fascinantes da trama de Macross. A primeira vez que eu assisti Macross foi como a primeira parte da Saga Robotech, que na verdade era a junção de três animes diferentes para que a série pudesse vender brinquedos e assim pudesse ser exibida no ocidente. Os três animes que formaram a saga Robotech foram Super Dimension Fortress Macross, Super Dimension Cavalry Southern Cross e também Genesis Climber MOSPEADA. Foi só depois que eu assisti Macross em sua forma original e também o filme Macross: Do You Remember Love? A canção principal de trama de Macross: Ai, Oboeteimasu ka ~ Do You Remember love, interpretada pela cantora Mari Iijima que se tornou uma das primeiras Idols devido ao sucesso da canção na época, era uma das canções mais cantadas pelo público nos primeiros eventos de animação japonesa no Brasil. Você pode ver a importância real de Macross no longa de animação do estúdio Gainax: Otaku no Video. Lá é representado a cena real de que quando o filme Macross: Do You Remember Love? estreou nos cinemas japoneses, as filas dobravam o quarteirão de quanto os japoneses haviam gostado e se identificado com a trama de Macross, numa identificação que só acontece poucas vezes, como por exemplo como a que aconteceu com o anime Neon Genesis Evangelion. Ao lado dos animes Mobile Suit Gundam, Uchuu Senkan Yamato e Neon Genesis Evangelion, Super Dimension Fortress Macross é uma daquelas animações perfeitas que não parece envelhecer nem um pouco e que cuja a história além de lembrar um romance literário, por ter todos os elementos balanceados, como por exemplo amor, aventura, ação e drama, possui também o tema tão caro que é o do caminho do herói, que é o romance de formação clássico, em que um jovem no começo não quer ser um herói, mas os acontecimentos que vão acontecendo em sua vida e as relações de amizade e amor que ele vai travando em seu caminho de autoconhecimento levam ele então a querer se tornar um herói no final e tentar salvar a vida de todas as pessoas que ele ama em sua volta. Então animes como Macross, Gundam, Yamato e LOTGH falam de honra, luta, amizade, amor e lealdade, sentimentos tão valorosos para a humanidade, fazendo que esses animes se tornem animes perfeitos, pois quando o espectador assiste a eles, ele também se identifica com esses ideias, tornando assim esses animes tão especiais e amados por eles. Para um anime que passou pela primeira vez em 82/83 e o filme sendo de 1984, e que aos olhos de novos espectadores parece não ter envelhecido nem um pouco, isso é um feito muito grande. Eu diria que isso acontece porque a história de Macross fala de temas universais e que são caros para todos aqueles que assistem, se identificam e amam a sua história.

        • Terminei de assistir a série de TV esta tarde e digo: gostei bastante como um todo, apesar dos 9 episódios finais não terem me empolgado tanto como os 27 anteriores a eles,que foram magníficos. Mas dá pra notar que tiveram todo um nível grande de cuidado com várias coisas na história e trabalharam bem a maioria dos núcleos, principalmente da guerra e a cultura (o núcleo romântico, na minha opinião, foi desenvolvido bem melhor no filme, apesar de o desenvolvimento dele na série ter sido honesto) e a história, apesar de ter dado umas escorregadas aqui e ali em alguns pequenos momentos, se manteve coesa até o fim. E realmente, o primeiro Macross é um ótimo anime até hoje e valeu muito a pena ter assistido pra conhecer mais sobre os personagens e conceitos que vi no filme. Os dois são produtos diferentes e únicos que acabam se completando no final, embora eu tenha gostado mais de DYRL. Talvez um dia eu escreva de novo sobre o primeiro Macross nem que seja pra dar uma aprofundada nele ou abordar algum ponto muito específico da história.

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