Como Treinar o Seu Dragão 2 – Sobre a Chegada da Idade e Tudo Mais

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É sempre bom assistir uma animação, não é?

Seja qual for a “fórmula” usada pela animação que você vá assistir, apostando na comédia, na empatia ou simplesmente no escapismo puro, animações são especiais. Elas te inserem em mundos que, por mais malucos que sejam, se tornam mágicos e apaixonantes aos nossos olhos. Alguns deles, é verdade, conseguem ficar com você por toda a vida, te marcam.

Imagino que para alguns possa ter sido o primeiro Toy Story, para outros o prestigiado Up, ou até mesmo algo do riquíssimo universo das Princesas Disney (Ouvi alguns de vocês falarem “Frozen!” aí?).

Bom, para mim, foi “Como Treinar o Seu Dragão”.

Claro, claro, sempre tive animações queridas, e não é como se eu não tivesse uma favorita antes dessa. Mas o primeiro Como Treinar o Seu Dragão (baseado no primeiro volume da extensa serie literária da autora Cressida Cowell, vale lembrar) me cativou de forma diferente. Era uma combinação bem dosada de uma mensagem de paz e compreensão com a aventura de montar nas costas de um dragão e voar na direção do nascer do sol, explorando novos horizontes. Isso num mundo bem construído, cheio de carisma, dotado de bela arte e a animação mais bonita que já tinha visto.

E, como era de se esperar, minha ansiedade para a sequência era enorme. E eu estava preparado para a expansão da aventura, lógico. Estava preparado para aquele upgrade nos fatores “épicos” da historia. Tudo isso era óbvio. Não menos animador, com toda a certeza, mas óbvio.

Eu não estava preparado para que esse pacote viesse junto com o melhor desenvolvimento de personagens que já tive oportunidade de ver numa animação, uma exploração mais detalhada de todo o conceito, designs ainda mais criativos e decisões particularmente corajosas da Dreamworks (Sobre as quais não falarei muito. Quero deixar as surpresas para que vocês as descubram). Nisso tudo superando o já excelente primeiro filme.

É, amigos. Fui pego de surpresa, e isso foi ótimo. Mas vamos, finalmente, direto ao assunto.

Astrid e Soluço

Astrid e Soluço

Como Treinar o Seu Dragão 2 se passa cinco anos após o final do primeiro (os quais, especulo, são cobertos pela serie animada). Nosso heroi, Soluço, o filho de Stoico, O Imenso, líder da aldeia viking de Berk, agora tem vinte anos de idade, e se tornou o melhor treinador de dragões do local. E a vida do rapaz vai muito bem, obrigado. Muita paz nos arredores, a corajosa Astrid como sua namorada, a relação com seu melhor amigo, o dragão Banguela… e as coisas parecem que não poderiam ficar melhores.

Mas, como nem tudo são flores, a idade de Soluço começa a demandar certas responsabilidades. Essas são trazidas por Stoico, que deseja se aposentar e nomear o filho como o novo líder da aldeia. Isso entra em conflito com os ideais do rapaz, que não se vê como um grande homem capaz de liderar, e prefere passar seu tempo inventando novos equipamentos, treinando voo com Banguela e mapeando as terras desconhecidas em volta de Berk.

É essa insistência do heroi em não aceitar uma grande honra que não combina com ele que dá o pontapé inicial para a trama da animação. Soluço descobre uma ameaça oculta, e quer lidar com ela de seu jeito. Isso não será nada fácil, pois a oposição de seu pai, a crueldade do inimigo e uma importante descoberta acabam por colocar as convicções do jovem em xeque.

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A historia se apoia como um todo no chamado “coming of age”, tema que trata (como já diz o nome) da chegada da idade adulta e das responsabilidades que vem com ela. Parece até um tema meio gasto, mas aqui ele é bem trabalhado, com clareza e eficiência, auxiliado pelo twist que é feito em cima da temática do primeiro filme.

Explico: Como eu já havia citado, o anterior tratava de paz e compreensão, de como dragões e vikings podiam se entender se fizessem um esforço. De como seres completamente diferentes podiam, sim, viver em harmonia, não importando o resto.

No segundo, uma questão um tanto sombria é colocada sobre essa bela moral: Será que há pessoas que estão além de qualquer compreensão? Será que a paz é sempre uma opção? E será que outros podem ser julgados por suas ações quando estão sob o jugo e as ordens de quem já não pode mais ser salvo?

E sobre essa temática ousada que o protagonista vai se florescendo, notando o que é importante para ele, e indo mais fundo na amizade, no amor, e na vida. Tanto nos momentos mais leves quanto nos mais pesados, é possível ver essa transição do menino para o homem. Transição que expõe fragilidades e forças em igual tom, sem perder a mão, fazendo do heroi algo que traz à mente personagens como Peter Parker, o famoso e amado Homem-Aranha, que passa por dificuldades e desvenda o destino sem perder a oportunidade pra uma boa piada.

Berk acompanha esse crescimento de Soluço. Não só nos detalhes (Que animação, pessoas. Que animação), como também em personagens. Astrid é mais madura e capaz que antes, os gêmeos Cabeçadura e Cabeçaquente são melhores treinadores e melhores alívios cômicos e por aí vai.

Banguela, o dragão.

Banguela, o dragão.

E como não dedicar todo um parágrafo para falar do Banguela, o dragão mais querido de todos? Além de ser um poço de simpatia, também tem momentos bem “badass” espalhados pelo filme, sendo um amigo fiel e inseparável para Soluço. Essa também é uma jornada de crescimento para a criatura, que deixa para trás um pouco de sua fofura para se tornar mais, tendo também seu pequeno arco de superação.

Certo é que, quando as luzes do cinema se acenderam, tive a certeza de ter testemunhado uma historia, completa, inesquecível e que assim se manterá por tempo indeterminado. Como Treinar o Seu Dragão 2 é a animação que você deve ir assistir esperando que lhe entreguem bem mais que o esperado.

Isso mostra o quão longe a Dreamworks Animation chegou no nível de qualidade de suas animações, e causa curiosidade sobre até onde eles podem ir. Suas duas próximas produções, “Os Pinguins de Madagascar” (spin-off da conhecida trilogia) e “Cada Um Na Sua Casa” (animação original) parecem extremamente promissoras, em especial o segundo (confiram aqui o trailer). Se hoje conseguem bater de frente com a grandiosa Pixar, atualmente estando até em melhor momento, o que o futuro reserva? Muita coisa boa, eu aposto.

Estamos conversados, enfim. Vá ao cinema de sua preferência com o coração aberto e compre seu ingresso sem medo de ser feliz. Os monstros que você encontrar pelo caminho te levarão longe, rumo a um sonho. Voe alto junto com eles.

Até a próxima!


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Felipe tinha um colega que era conhecido como São Jorge, por só namorar belas garotas.

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