Manga Box – A Revista Semanal de Mangás Online

Opa, de grátis!

Ideia ótima, não? Fazer uma revista semanal de mangás na internet, de graça, com conteúdo inédito e também com versão impressa para poder lucrar e chamar o público tradicional?

O Manga Box faz isso. E muito bem, até agora.

Com versões em japonês, chinês e até em inglês (!!), o Manga Box disponibiliza suas edições toda semana às terças-feiras no seu aplicativo para android e iOS, gratuitamente e de maneira fácil. “Ah, Ícaro, mas não tem versão pra computador? Eu não tenho celular com esses dispositivos super modernos!” Até tem, mas são disponibilizadas as primeiras páginas do mangá e o último capítulo lançado no site oficial, não a série inteira.

Desde o final do ano passado o aplicativo vem sendo atualizado, sem atrasos, com algumas séries já finalizadas e outras em andamento, tendo algumas levas de mangás novos também. Para ajudar na divulgação, também são publicados spin-offs de séries já famosas, como Area no Kishi, Shingeki no Kyojin e Kindaichi Case Files.  Quem está por trás disso é a Kodansha, que você deve conhecer como a maior editora do Japão. Um dos mangás chegou até no ranking de 50 mangás mais vendidos da Oricon! Confesso que fiquei bastante alegre com isso.

Aproveitando este post, farei algumas recomendações de leitura da revista. Várias séries são bastante medianas, mas as que citarei valem a leitura. Então, bora lá?

GREEN WORLDZ

 

A história começa com o protagonista andando de metrô para se confessar a sua amada, depois de vários anos sem contar suas verdadeiras intenções e sentimentos a ela. Quando, de repente, o seu metrô para. Todos os passageiros saem do meio de transporte para ver o que diabos havia acontecido, mal sabiam eles que as suas vidas mudariam para sempre. O mundo estava coberto de plantas, e muitos humanos já haviam sido eliminados por plantas ou animais bizarros. O protagonista agora tem que sobreviver, e proteger aqueles que ainda não foram mortos.

O clima pós-apocalíptico é bem introduzido e bem ambientado, o traço do autor (o mesmo que fez Dr Duo na Shonen Magazine, por sinal) mostra muito bem todo o caos e consegue exprimir muito bem as sensações e sentimentos dos sobreviventes. A trama é bem conduzida, há alguns desfechos ótimos e o protagonista tem uma certa evolução e pensamentos conflitantes no decorrer da história.

Green Worldz é publicado desde a primeira edição da revista, atualmente conta com 25 capítulos.

TAKATOU SHOUNEN NO JIKENBO

Takato é um jovem estudante bom-em-qualquer-coisa do Ensino Médio. Ele é daqueles caras badass que não curte ser amigo de ninguém e nem de mostrar seus sentimentos para os outros. Filho de uma mágica bastante famosa, o clube de mágica do colégio o convida para participar das suas atividades e, quem sabe, ensinar alguns truques legais. Após ele ficar amigo da galera, acontece algo bem estranho. Uma pessoa misteriosa está matando integrantes do clube, e Takato agora terá que ajudar a polícia a resolver esse caso.

Spin-off de Kindaichi Shounen no Jikenbo (ou Kindaichi Case Files), mas dá pra ler sem grandes problemas, pode relaxar. O enredo é recheado de mind games, com personagens introduzidos e utilizados de uma forma ótima. Tem um traço bastante simples, mas não há muitas exigências disso na obra e nem incomoda. Como eu disse, não é necessário conhecer a obra original para ler este spin-off, ele funciona muito bem sozinho, porém, ele não dá os motivos do protagonista, apenas o joga na situação implicando que você já saiba. O enredo não vai muito além do caso, é bem curto e fechadinho.

A série foi o primeiro carro-chefe de vendas da revista, sendo o único a entrar na lista de mais vendidos da Oricon. Foi finalizada com 16 capítulos e compilada em volume único.

TAWARA NEKO TO MACHIGAI JINSEI

Tawara Cat (assim chamado na versão em inglês do Manga Box) conta a história da infeliz escolha de Kotori, uma jovem trabalhadora que quer vencer na vida, de pegar um gato abandonado no meio de uma calçada. Esse gato iria deixar sua vida de ponta-cabeça.

É um slice of life MUITO simpático, e tudo ali contribui pra isso. Sejam as expressões da Kotori, das ações do gato, das situações onde o gato é gordo demais e fica preso na sacada do apartamento dela e até do relacionamento de amor e ódio dos dois lados. O timing do humor também ajuda nas piadas e no feeling “relaxante” (em várias ocasiões há clima de briga, mas não transmite um clima tenso em nenhum momento). O bônus de ter páginas coloridas deixa o mangá mais singular ainda.

Tawara Cat está em andamento e tem 13 capítulos atualmente.

TENKUU SHINPAN

A primeira página de Tenkuu Shinpan é bem direta e já mostra uma palhinha de como aquilo vai se desenrolar. Uma menina está presenciando um assassinato doentio a poucos metros de distância dela… e, assim como a gente, ela não sabe como foi parar ali e quem são aqueles caras. Ela corre como se não houvesse amanhã e o assassino – mascarado, por sinal – a persegue. A garota sobe escadas e percebe que está em um prédio , já na cobertura. Ela olha para baixo e duvida que aquilo seja o mundo normal, não existem pessoas nas ruas e é um lugar infestado de arranha-céus. Ela não sabe onde está, o que fazer, e tem um assassino mascarado com uma foice atrás dela.

É bem desenhado, não é algo sensacional, mas mostra bem o que é para ser mostrado, aliás, o cara desenha sangue e prédios muito bem. Bem, sangue e prédios é o que você mais vai ver na obra, sério. Não é a toa que em inglês se chama High-Rise Invasion. O enredo é bem lento e demora muito tempo para mostrar algum segredo da trama por trás de tudo que acontece, e boa parte do desenvolvimento se resume a protagonista tentando fugir de mascarados que aparecem para matar ela por motivos desconhecidos. Não bastasse os capítulos terem 10 páginas cada – como quase todas as séries do Manga Box -, as coisas não rolam e boa parte dos capítulos são descrevendo campos de batalha em cobertura de edifícios. Entretanto, eu ainda recomendo a leitura de Tenkuu Shinpan, porque o traço e os enquadramentos ainda contribuem para algo frenético numa leitura feita em maratona, acaba sendo bastante divertido e legal. Pode ser usado como um tira gosto daquela leitura do capítulo de Hunter x Hunter onde o Togashi explica uma porrada de coisa e você só quer absorver aquilo com mais calma.

High-Rise Invasion teve seu primeiro volume publicado recentemente e sua distribuição pelo aplicativo cancelada por pedidos do Google Play, o motivo do ocorrido foi o excesso de violência apresentado. Se você quer ler todo o material distribuído até agora, pode baixar daqui ou acompanhar os encadernados japoneses.

BILLION DOGS

Gastando grande parte do tempo dele nos estudos e na organização do seu colégio, Ichiru é o cara mais envolvido em política na sua parte acadêmica. Na real, isso veio da sua família. O pai dele manja das máfias japonesas e tem umas tretas com a maioria da parte criminal da cidade. O plano de Ichiru é roubar três bilhões de yen dessas tretas e, no final, ele apenas estaria roubando dinheiro sujo. Ichiru, com a ajuda de seu parceiro Kyosuke, vai tentar de todas as formas pegar os três bilhões, mesmo se metendo diretamente com a yakuza.

A trama é até bastante fechada à primeira vista, o mangá seria apenas a história do roubo e seus obstáculos. Eu realmente espero que não vá muito além, costumo ter medo de séries se prolongarem mais do que deveriam ou partirem para um ponto desnecessário. Ah, o Ichiru conseguiu me interessar até, com toda a liderança e ambição dele, achei bem feitas. Algumas passagens para a vida pessoal/escolar dos garotos acabam me cansando na leitura semanal, algumas vezes elas parecem ser destacadas demais, mas no final elas acabam sendo úteis. O traço é um dos mais bonitos nas categorias roupas dos personagens e desenho puxado para o realismo, peca apenas em algumas situações de movimentação. É um mangá que promete bastante, mas por enquanto está morno.

Billion Dogs está em andamento e com um volume publicado no Japão. É do mesmo autor de Kamisama no Iuutori e desenhista daquele mangá de Resident Evil que saiu aqui no Brasil.

Venho torcendo fortemente para o Manga Box dar certo, quem sabe aparecem mais revistas com o mesmo modelo (e que não sejam que nem a Jump LIVE, com parte de seu conteúdo pago, e disponibilizado apenas no país de origem). Nisso, apareceu o Comic Walker, investida da Kadokawa Shoten nesse modelo, mas deixo isso para um futuro post. Por enquanto, o Manga Box está sendo a revista online de mangás com melhor facilidade de distribuição e com um marketing bom, mas que pode melhorar. Há bons títulos disponíveis, é de graça e é o começo de um estilo de publicação promissor, então por que não dar uma olhada, né?


QbJ6Szl

Ícaro adora receber caixas com histórias em quadrinhos dentro, mesmo nunca tendo recebido na vida.

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